Capítulo 39

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Vanessa Aguiar

Meus olhos vão direto em uma garota que está me encarando com raiva, ela tá de short jeans e cropped e o cabelo preso em um coque. E eu tenho certeza absoluta que nunca vi ela antes.

— Tá doida? — Pergunto alto e irritada — Quem é você garota?

— Eu só vim te dar um recado, é melhor você ficar longe do que é meu ou a coisa vai ficar ruim para você — Ele ameaça apontando o dedo para mim — volta direto para o buraco de onde você saiu.

— Você só pode estar doida, eu não tô com nada seu não — Falo impaciente e respiro fundo — e a próxima vez que encostar em mim, eu quebro a sua mão de um jeito que você vai nunca mais vai poder usar ela.

— Acha que eu tenho medo de você? — Ela ri debochada vindo na minha direção — Eu cria do morro.

— Eu não tenho medo de você também e nem sei porque você tá armando esse circo, palhaça — Falo com desdém.

No momento em que ela vai pular em cima de mim, uma outra garota segura ela quase que no ar. E eu continuo no mesmo lugar, só bebi um copo de caipirinha, e não estou tão em choque como na última situação, se ela viesse ia levar na mesma medida.

— Leandra sua vagabunda, tá doida porra? — A garota grita segurando ela que está se debatendo, e todas as pessoas ao redor já se afastaram. — Quer se fuder ?

— Quero matar essa patricinha metida a besta, eu vou esfregar a cara dela no chão — A que me atacou, que agora eu sei que chama Leandra, grita.

Odeio ser o centro das atenções dessa forma, é a primeira vez que eu saio de dentro da casa do Elfo e já estou metida na segunda briga, eu só queria poder curtir um pouco em paz, nada além disso.

— Eu não sei porque ela está agindo assim, mas eu tô indo embora, segura seu monstrinho — Falo para a menina que está segurando a Leandra.

— Você é uma puta! PUTA! — a Leandra grita e eu dou de ombros com deboche.

Começo a me afastar, para sair do meio da confusão, sem realmente ficar de costas para ela porque seria muita burrice, e eu vejo o momento que a Leandra se solta da amiga e avança para cima de mim, mas eu nem penso muito e ajo por reflexo, e dou um soco no nariz dela e o barulho é tão alto que eu acho que quebrou.

Ela agacha no chão com a mão no rosto enquanto grita de dor e eu dou alguns passos para trás, a confusão é enorme e eu quase choro ao ver gente filmando, isso é péssimo para mim.

— Não sabia que você era tão boa de direita — Escuto o Elfo falando enquanto se aproxima de mim — você está bem?

— Estou — Respondo acenando — Pode pedir para quem filmou apagar? — Peço baixo quando ele para bem perto de mim.

Ele me deixa um pouco atrás dele, mas ainda consegui ver a mudança de expressão dele para uma mais séria e fria.

— Eu vou falar só uma vez, se o vídeo disso aqui se espalhar, eu vou visitar a casa de cada um e não é para uma conversa legal — Ela avisa em tom de ameaça e eu escuto um burburinho, mas ninguém contesta nada.

— O que aconteceu com você, Elfo? — Escuto a voz da Leandra que está de pé com a ajuda da amiga — Não era você que só tinha caso de uma noite agora tá desfilando com a patricinha? Foi por causa dela que você me rejeitou?

— Leandra, se coloque no seu lugar e não me faça perder a paciência com você não, já está com o nariz quebrado — Ele ameaça impaciente.

— Quando essa putinha te trair e acabar com você, lembra que você tinha uma opção melhor e não quis — Ela diz chorosa e me olha com raiva.

— Você não é opção melhor nem para os cachorros na rua — A Manuela diz aparecendo no meio do povo — Fica longe da minha cunhadinha, ou eu vou te quebrar no meio.

— Você andar com essas patricinhas não vai te fazer menos favelada, Manuela — Leandra responde com deboche e a amiga dela arregala os olhos.

— Chega! Chega! — ela diz puxando a Leandra — Me desculpa por tudo, ela bebeu demais.

— Melhor levar ela mesmo, antes que eu quebre o pescoço dela —. A Manuela fala com raiva, dá para ver nos seus olhos.

— Todo mundo circulando, acabou o show — O Elfo manda e no segundo seguinte as pessoas já estão se espalhando.

— A gente pode ir embora agora? — Pergunto já me sentindo cansada desse ambiente.

— Podemos, vamos — Ele responde e olha para a Manuela — Eu tô indo embora, avisa os outros para mim.

— Pode deixar — Ela responde dando de ombros — E eu não vou para casa hoje, podem transar à vontade.

— Manuela!! — exclamo e ela se afasta rindo.

O Elfo segura a minha mão e começa a andar tranquilo se afastando do meio dos outros, e as pessoas vão abrindo caminho. Sinto as minhas bochechas esquentando de novo porque está todo mundo nos olhando.

— Sua mão está bem? Foi um soco e tanto — Ele pergunta enquanto a gente caminha.

— Está sim — Respondo rindo — Tá doendo só um pouquinho.

— Eu sabia que deveria ter ido com você — Ele diz em um tom divertido e eu dou de ombros.

— Quem é ela? Ex? — Pergunto sem esconder a curiosidade.

— Não, eu nunca tive nada com ela e nem pretendo, mas acho que, talvez, ela seja um pouco obcecada por mim — Ele diz dando de ombros.

— Queria dizer que isso parece prepotente, mas eu acho que ela realmente não tá muito boa da cabeça mesmo — Comento pensativa e ele ri.

— Então você acha que para me querer tem que tá ruim da cabeça? — Ele pergunta em um tom divertido enquanto se finge de ofendido.

— Eu tenho certeza — Falo rindo e olho para ele — Olha para mim? Eu perdi completamente o juízo.

— E está muito mais legal agora — Ele responde sorrindo e me puxa pela cintura — Gosto mais dessa versão.

E me beija com intensidade, sem se importar de estarmos no meio da rua.

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@ thainarro

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora