Capítulo 69

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Murilo Cardoso ( Elfo)

Gostaria de dizer que ele nunca vai esquecer o dia de hoje, que ficaria marcado como o dia em que ele tomou a pior decisão da vida dele, mas o que eu quero mesmo é que ele nem mesmo tenha uma vida depois de tudo, quero acabar com ele, isso já me resolveria também um problema com a Vanessa e com a minhas cargas que ele gosta muito de perseguir.

— Chefe, estou vendo o delegado Aguiar passando aqui perto da padaria do cantor, tá ligado? Ele tá subindo em direção a base — Um dos rapazes avisa logo em seguida — Atira ou deixa ir?

— Pode deixar ir, mas se forem para cima de você, se defende e pode meter chumbo — Eu respondo, porque mesmo que eu queira matar ele com as minhas mãos, não vou deixar ele matar quem ele quiser pelo caminho.

— Vamos voltar? — O Gota pergunta e eu assinto.

— Sim, mas vamos fazer nosso caminho cruzar com o deles, quero pegar esse delegado de merda de surpresa — Respondo, felizmente não andamos para muito longe ainda.

A base fica em um ponto alto, não é tão fácil chegar lá, e eu acredito que ele não tenha todas as informações que precisa para realmente encontrar lá, mesmo que tenha alguma direção, e chegar até lá não vai ser tão fácil, e quanto mais ele entra, mais difícil será para ele sair daqui, acho que ele esqueceu desse pequeno detalhe.

A maioria da troca de tiros e confronto está acontecendo a beira das ruas e entradas na comunidade que estão bem protegidas, não temos a intenção de facilitar para esses desgraçados de forma alguma.

Eu caminho sentindo o meu sangue ferver, eu já matei algumas pessoas pelo caminho, é claro, ninguém chega na posição que eu estou hoje com as mãos limpas, mas matar não é nenhum hobby para mim e geralmente não me traz nenhuma satisfação pessoal, eu faço o que tenho que fazer e quando tenho que fazer, mas eu não posso dizer que nunca acontece.

Por exemplo, pensar no momento em que eu vou matar o Roberto ou o Drogo, me causam muita satisfação pessoal, mas claro, eu preciso cumprir cada uma das coisas que surgem em meus pensamentos para que essa satisfação seja completamente real e eu realmente espero que isso não demore a acontecer.

— Acho que são eles — O Gota fala atraindo a minha atenção.

Nos escondemos atrás de uma casa e observamos o grupo de policiais passando, preciso fazer com eles se dispersem para que eu possa me aproximar do Roberto, não quero resolver isso com um tiro, seria fácil de mais e rápido demais.

Talvez seja um pouco sanguinário e até psicopático, mas quero que ele sofra bastante. Quem gosta de causar dor tem que aguentar ao menos um pouco do que faz, e pelo estado que a Vanessa apareceu aqui, ela sofreu bastante.

Eu me lembro muito bem da imagem dela não se aguentando de dor, as febres e o corpo coberto de marcas de espancamento. Qualquer coisa que eu fizer com ele hoje, ainda vai ser pouco para tudo o que ele merece, por isso não vou ter dó. Rio sozinho e em silêncio, como se em algum momento ou situação, eu fosse ter dó dele por alguma razão.

— Eu vou atirar e a gente se separa, você segue o delegado e eu dou um jeito para eles ficarem isolados — O Gota fala e eu concordo com um aceno, temos que evitar barulhos até o momento dos disparos.

Contamos até três juntos e começamos alguns disparos contra eles que tentam se esconder e, ao mesmo tempo, revidar os tiros, a movimentação chama a atenção dos outros e mais tiros e maior a confusão fica.

Eu começo a seguir o Aguiar, vou provocando os disparos para guiar eles para onde eu quero, pois quero poder acertar algumas contas com ele e depois matar ele com as minhas mãos. Então atiro no companheiro dele, acerto a perna e ele cai em seguida no chão.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora