Capítulo 24

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Laura Fonseca

Entro dentro da escola torcendo para  que hoje eu consiga ver a Vanessa, já fazem duas semanas que ela não aparece, desde o dia que nós fomos no morro pela última vez. Já tentei ir na casa dela, mas fui informada de que não há ninguém lá. Será que tiraram a Vanessa do país? Eu não duvido de nada vindo daqueles pais dela, e por isso estou tão preocupada, não sei o que fazer, não sei como ajudar a minha melhor amiga. Ela nem recebe mais mensagens, eu acho que vou enlouquecer.

— Laura! — Escuto a Pietra ne gritar e viro para olhar para ela — Espera, quero falar com você.

Eu aceno, e fico parada esperando ela se aproximar de mim. Pietra é a filha da dona da escola, e é a garota com o estilo mais alternativo daqui. Deve ser legal ter uma família que respeita seus gostos e sua forma de viver.

— Aconteceu alguma coisa? — Pergunto quando ela para na minha frente, respirando fundo depois de correr.

— Isso é o que eu quero saber — Ela diz e eu fico confusa.

— Do que você está falando? — Questiono com as sobrancelhas arqueadas — eu não estou sabendo de nada.

— Você poderia me deixar falar primeiro — Ela rebate e eu reviro os olhos — Eu quero saber porque a Vanessa saiu da escola? Faltam quatro meses para acabar o curso, minha mãe disse que não deveria me meter, mas eu só estou curiosa mesmo, ela era tão dedicada e...

— Espera, Pietra — Peço interrompendo a fala dela — O que você quis dizer com isso?

— Com o quê?

— Como assim a Vanessa saiu da escola? — Pergunto me sentindo atordoada.

— Como assim você não sabe que ela saiu da escola? — Ela pergunta confusa e preocupada — A mãe dela esteve aqui essa semana e cancelou a matrícula dela e disse que ela iria estudar fora.

— Eu... Eu não estava sabendo... — Respiro fundo tentando manter a calma, mas acho que isso é impossível — Você sabe de mais alguma coisa? Qualquer coisa.

— A mãe dela e a minha não são muito próximas, então desculpa, só sei disso — Ela fala parecendo realmente sentir muito — Mas está acontecendo alguma coisa? Tenta a polícia.

— Eu acho que ela deve estar bem, é que a gente se desentendeu e eu não fiquei sabendo de nada, mas eu vou falar com ela hoje e perguntar o que está rolando — Falo com um sorriso pequeno, não vou demonstrar o medo e o desespero que eu estou sentindo.

— Ah sim, nunca imaginei que vocês brigassem — Ela fala rindo e eu dou de ombros — Quase fiquei preocupada achando que tinha acontecido algo grave.

— Deve estar tudo bem, depois até te conto o que pode ter sido — Digo, começando a me sentir desesperada para me afastar logo dela, preciso pensar com calma e sair de dentro dessa escola.

— Tá bom, até depois então — Ela fala e eu sorrio me despedindo dela também.

Caminho até as escadas que vão para as quadras e me sento, preciso respirar fundo e devagar, não gosto nem de pensar no que a Vanessa deve estar passando, e o pior de tudo, não saber o que eu posso fazer para ajudar.

Minha mãe nunca se envolveria, assim como das outras vezes, tenho certeza que ela diria que é um problema de família e que eu não devo me meter, mas dessa vez eles tiraram ela da escola, duas semanas sem notícias, e quando eu vou lá, os funcionários dizem que não tem ninguém em casa.

Suspiro sentindo meu coração doer e meus olhos se encherem de lágrimas. Eu sou uma péssima amiga!

Pego o meu celular, sei que não adianta nada, mas eu queria tanto ver ela ficando online novamente, acho que seria melhor se os pais dela a mandassem para alguma escola mesmo, mas acho que eles fizeram de novo, estão a mantendo presa dentro de casa.

Será que eles descobriram sobre o morro? Se for por isso, a culpa é realmente minha. E isso faz de mim a pior das piores amigas. Eu nunca vou me perdoar se algo grave acontecer ou se já tiver acontecido com ela.

Olho para a tela do meu celular, sem saber o que fazer, mas faço a primeira coisa que me vem à mente neste momento, não sei se vai ter alguma utilidade, mas ele vai saber o que fazer para me ajudar a pensar.

— Achei que não iria me atender — Falo quando o Gota me atende.

— Aconteceu alguma coisa? — Ele pergunta preocupado, acho que é pela minha voz de choro.

— Aconteceu e eu não sei o que fazer — respondo me sentindo um lixo de pessoa.

— Respira fundo e me conta, vou fazer tudo para te ajudar — Ele diz em tom de preocupação. — Você está machucada? Precisa de alguma coisa?

— Preciso, mas não é para mim — Falo chorando e respiro fundo — Aconteceu alguma coisa com a Vanessa.

— Como assim? — Ele pergunta confuso.

— Ela sumiu desde aquele dia que deixamos ela em casa, não sei de mais nada que possa ter acontecido — Falo em meio às lágrimas — Ela não recebe mensagem, quando vou na casa dela, dizem que não tem ninguém lá e hoje eu descobri que a Eliza, mãe dela, a tirou da escola. Aconteceu alguma coisa.

— Tudo bem, calma — Ele pede suavemente — O que você acha que pode ter acontecido?

— Acho que eles estão mantendo ela presa em casa — Respondo rápido.

— Eu vou falar com o Elfo, mas não sei se vou poder te ajudar com ela, não podemos invadir a casa de um policial federal assim — Ele diz receoso e respira fundo — Mas se o Elfo autorizar, a gente tira ela de lá.

— Fala com ele, por favor — Peço, talvez eu esteja ficando louca, mas eu topo qualquer ideia.

— Eu vou conversar sobre isso, então fica calma, respira fundo — Ele diz em um tom calmo — Quer que eu mande te buscar?

— Eu não posso sair da escola agora — Respondo limpando os olhos.

— Quando acabar a aula, eu vou ai te buscar e você passa o dia comigo, pode ser? — Ele pergunta e eu suspiro.

— Eu vou para casa hoje, quero ficar sozinha — Respondo chateada comigo mesmo — Eu prejudiquei a minha melhor amiga, preciso só dormir e esquecer o mundo.

— Tudo bem, mas quando quiser companhia, é só me ligar — Ele responde me confortando.

Mas antes que eu possa responder, vejo um dos fiscais vindo na minha direção e suspiro. Eu tenho que voltar para sala, não vou mais conseguir me esconder.

— Eu preciso desligar, te mando mensagem depois — Me despeço.

— Fica calma, para tudo tem jeito — Ele diz e eu tento ficar mais positiva, mas não dá — Até depois.

— Até depois — Respondo e desligo a chamada.

Ignoro tudo o que o fiscal está falando e começo a andar em direção a minha sala. Eu queria mesmo que eles pudessem fazer algo, queria não ter ido aquela festa e nem ter prejudicado a Vanessa. Ela deve estar se sentindo no inferno presa em algum lugar há duas semanas pelos pais.

Mas quando eu me acalmar, eu vou pensar em alguma coisa, qualquer solução.

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Oie, tudo bom?

Espero que gostem do capítulo ❤️

@ thainarro

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora