Capítulo 57

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Murilo Cardoso (Elfo)

Bato a porta do carro impaciente no momento que entro, não acredito que deixei aquela mulher falar daquela forma comigo, não me importo se ela é a droga de uma juíza. Que caralho de dia ruim, por mim eu só explodia essa merda toda e pronto, estou farto de toda essa bagunça, farto desses problemas. Se a Vanessa deixasse eu estourar a cabeça do Aguiar, nada disso estaria acontecendo, mas agora tenho que ficar ouvindo sermão na rua.

— Se acalma um pouco — O Gota pede, me olhando sério e respira fundo — Eu sei que é uma merda, mas não podíamos fazer barraco aqui assim, vamo manter o controle. Sem contar que ela só está querendo conversar.

— Eu não quero conversar, quero resolver essa merda — quase grito com raiva.

Eu odeio a sensação de não ter o que eu quero nas minhas mãos, odeio perder o controle de tudo, mas eu não posso deixar que as coisas fiquem assim. Por isso ligo o carro e respiro fundo, não vou me descontrolar mais, vou manter a cabeça no lugar e pensar em uma forma de solucionar isso e manter todos bem.

— O que aconteceu na delegacia? — o Gota pergunta olhando para as duas no banco de trás.

— Nós fomos interrogadas, fizeram várias perguntas sobre a Vanessa, mas não foi só isso — Minha irmã começa a falar, e apesar de estar de olho no trânsito, presto bastante atenção nela — Foi muito ruim, eles perguntavam sobre vocês, gritavam, batiam na mesa. A impressão que eu tenho é que estavam tentando me fazer falar alguma coisa que me incriminasse, por pressão, claramente estavam tentando me induzir.

— Eles também fizeram isso comigo — a Laura comenta e eu preciso respirar fundo.

— Erramos muito em ter deixado que vocês viessem aqui sem se prepararem antes — O Gota fala.

Eu aperto o volante nas minhas mãos, estou sentindo muita raiva no momento. Como eu estou deixando as coisas chegarem nesse ponto? Não foi isso que eu programei, não é isso que eu quero. Eu sou a porra do dono do morro, um dos maiores chefes do tráfico dessa cidade e ainda assim estou aqui, permitindo que as coisas fiquem assim. Eu sequer estou conseguindo proteger as pessoas que amo e quero bem. Isso é uma vergonha.

— Mas agora a minha mãe está tomando a frente, sei que nada disso vai passar impune — a Laura fala orgulhosa e eu rio baixo e soprado — O que foi?

— Eu não estou de bom humor, apenas isso — Falo seco, não quero discutir com ela agora.

— A gente vai pensar em uma forma de resolver essa situação, Elfo, até porque a mãe da Laura só vai fazer alguma coisa dentro da lei, e a gente sabe que nem tudo vai ser resolvido dessa forma, tem muita água para rolar e a gente precisa pensar em uma forma de eliminar um por um — Minha irmã fala e eu respiro fundo mais uma vez.

— A Manuela ta certa — O Gota concorda — E não temos só esse problema para resolver, ainda tem que acabar com o Drogo, o pai problemático dela é só metade do problema.

— A Vanessa deve estar em surto com tudo isso, afinal, ela é a mais afetada — a Laura comenta parecendo distante — Vocês não sabem o que ela já passou naquela casa e com aquela família.

— E é por isso que ela deveria deixar eu matar aquele desgraçado logo — Rebato impaciente — coisa que eu já estou pensando em fazer mesmo ela sendo contra, nada disso estaria acontecendo se ele estivesse encaixado.

— Não faça isso, Elfo, a Vanessa vai ficar muito mal — A Laura fala um pouco alarmada pelo tom de voz que usa — Deixa que ela decida o momento e quer que isso aconteça mesmo, porque ela tem muito coisa em jogo. Eles são uns merda e nunca foram pais de verdade, mas ela precisa perceber sozinha e ninguém aqui vai forçar ela a nada. Eu tenho certeza que quando esse tempo que ela precisa passar, será a primeira com uma ideia para ter paz de vez. É a primeira vez que ela está vivendo longe de todos lá, isso inclui a Carol, irmã dela que sumiu do mapa — Ela respira fundo e continua — Vanessa precisa enxergar e escolher como agir sozinha.

— Espero que ela tome logo uma decisão — Falo ainda com a expressão fechada — e é bom que ela perceba que ela não está sozinha, mesmo que tenha que tomar alguma decisão sozinha.

— Estamos todos do lado dela — A Manuela completa e eu sorrio, porque essa é a verdade.

— Eu tenho certeza que ela já sabe disso — A Laura fala com segurança — E você está indo para qual lado?

— Estou indo para o mesmo condomínio que a Vanessa morava — Respondo um pouco confuso.

— Está errado — O Gota corrige e começa a me guiar para o endereço certo.

Eu vou seguindo as instruções e prestando atenção no trânsito, mas tentando me acalmar. Parte de mim sabe que quando eu estiver lá e que a juíza chegar, eu vou me estressar ainda mais, e outra parte sabe que eu preciso estar calmo para pensar na melhor forma de resolver os b.o. E mais, ela falando como se fosse a mãe da Vanessa e estivesse pronta para me dar um sermão. Essa velha enlouqueceu, será que ela sabe que é sogra só do Gota? Nunca que eu vou ter uma sogra juíza também.

Elas foram fazer um boletim de ocorrência contra a delegacia, ou pai da Vanessa, pensando agora, isso significa que a Vanessa já começou a fazer algo, começou a reagir de alguma forma. Há alguns minutos eu estava tão irritado que não consegui pensar tão claramente sobre isso, mas agora está estampado bem na minha frente. Quase posso sorrir.

Não vai demorar até que ela comece a fazer algo mais efetivo e eu possa já tirar esse homem do meu caminho, ele está me incomodando demais, eu simplesmente odeio ser incomodado.

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