Capítulo 26

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Vanessa Aguiar

Eu já não sei a quanto tempo estou aqui dentro desse quarto, meu corpo dói porque ainda vez e outra meu pai me agride. Estou farta disso, cansada e dolorida, queria sumir daqui. Minha mãe ainda acha que é um ótimo momento para que eu faça dieta, não sei que peso é essa que ela quer que eu perca. A verdade é que eu sinto que vou morrer aqui dentro e não vou conseguir fazer nada para me salvar.

Meus únicos momentos de alegria é quando a dona Dalva trás comida escondida para mim e quando ela me conta que a Laura veio me procurar, tenho certeza que a minha amiga deve estar perdendo os cabelos de preocupação. Queria conseguir mandar algum recado. Será que se eu pedir a Dalva, ela manda? Vou tentar isso hoje, seria bom se a gente arrumasse um meio de comunicação melhor ainda seria se eu conseguisse sair daqui.

Me levanto da cama, minha rotina é tentar não perder toda a minha musculatura ficando só deitada, mesmo que tenha dia que eu não consiga fazer nada porque tudo dói, mas eu ainda tento me alongar, tento de alguma forma me manter saudável, e isso me ajuda a não enlouquecer aqui dentro.

Escuto batidas na porta e vejo a Dalva entrando com uma bandeja de comida, me sinto até um pouco melhor.

— Oi, finalmente a senhora veio — Falo indo até ela — Eliza está aí?

— Não, sua mãe saiu a pouco, mas foi ela quem escolheu sua comida — Ela diz e eu estremeço, mas é melhor do que quando ela me deixa sem nada — Mas eu trouxe algumas coisinhas a mais.

— A senhora é um anjo, tenho certeza que já estaria morta sem você aqui — Falo e ela suspira.

— Seus pais não sabem o que estão fazendo — Ela fala triste e eu rio chateada.

— O problema é que eles sabem exatamente o que estão fazendo e mesmo assim se mantém sendo as pessoas horríveis que eles são, essa é a verdadeira essência deles — Falo enquanto me sento, sentindo meu estômago roncar, o cheiro da comida está delicioso.

Começo a comer tentando não me apressar, tem um omelete, suco, água, algumas frutas picadas, um pouco de mousse e uma pequena barrinha de chocolate. Sorrio pequeno o chocolate e sei que é o que a Dalva colocou a mais, além do mousse. Queria uma pizza, mas vou me contentar com isso por agora, mas quando eu estiver livre, vou comer tanto que vou passar mal, e depois que eu melhorar, vou comer ainda mais.

— Laura esteve aqui hoje — Ela diz e eu sorrio — Perguntou por você, sobre quando você voltava e ela não estava sozinha, tinha uma garota que nunca vi. Acho que deve ser amiga nova.

— Como assim amiga nova? — Pergunto ficando nervosa, não quero ser possessiva, mas não gostaria que ela me trocasse, mas... calma, eu estou surtando por nada — Ela disse o nome?

— Não, ela só perguntou se você já tinha voltado, até queria deixar ela entrar, mas um segurança fica vigiando o tempo inteiro — Ela suspira  e sorri para mim — Eu acho que ela não vai desistir nunca.

— Ainda bem — Sorrio — é bom saber que eu tenho uma amiga de verdade no meio desse caos que é a minha vida, Dalva, eu quero tanto sair daqui, queria tanto ter pais normais.

—  Um dia você vai ser livre menina, eu acredito nisso — Ela fazendo carinho no meu cabelo.

— Eu realmente espero que isso aconteça em algum momento — Falo suspirando — Tomara que a Carol apareça logo, tenho certeza que ela vai me tirar dessa casa.

— Ela vai aparecer logo meu bem — Ela diz e eu sinto mais vontade de chorar.

Respiro fundo e termino de comer, sentindo meu estômago cheio e deixo o meu chocolate para depois, por isso  escondo no meio das minhas coisas na minha gaveta e me deito na cama. Estou começando a me sentir apática e eu não quero me sentir assim, seria pedir demais um pouco de liberdade.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora