Entrei em casa de rompante e comecei a subir as escadas para ninguém reparar que eu estava a chorar.

-Filha, está tudo bem?-Perguntou o meu pai da sala.

Não respondi e continuei o meu caminho até ao meu quarto.

Assim que lá cheguei pousei as minhas coisas no chão e deitei-me na cama. Passei as mãos no cabelo e comecei a chorar ainda mais.

-Maya, posso entrar?-Perguntou o Ashton batendo à porta.

Não respondi mais uma vez. Queria que alguém falasse comigo mas não queria incomodar ninguém nem queria que ninguém me visse chorar.

Porque é que eu sou tão complicada? Porra!

Felizmente, acho eu, o meu meio irmão entrou e fechou a porta sem precisar da minha resposta.

-Então, tem calma.-Ele disse e deitou-se ao meu lado na cama.-O que é que se passou?

Mais lágrimas escorreram no meu rosto assim que me lembrei do que se tinha passado há pouco tempo.

-O Calum...ele disse que me amava e...fez-me acreditar e eu beijei-o.-Eu soluçava enquanto lhe contava o sucedido.-E depois do nada...apareceu uma rapariga chamada Taylor e ele ficou...todo atrapalhado e ela disse que ele dormiu com ela. Tu tinhas razão, Ash desculpa.-Conclui tentando conter as lágrimas, sem sucesso.

-Shhhh...está tudo bem, não tem problema. Lamento, Maya.-Ele disse, pondo um braço à minha volta.-Ele não te merece.

-Mas eu amo-o. Porque é que eu ainda o amo?-O meu meio irmão limpou uma lágrima que me caía na face enquanto eu dizia esta frase.

-Porque se o sentimento é forte não desaparece assim. Aconteceu-me a mesma coisa com a Jane.

-Mas ela não te traiu e mentiu-te por cima só para o seu próprio bem.-Lembrei eu.-Eu só quero que isto acabe. Dói demasiado.

-Faz parte, Maya, e tu sabes disso.-Ele recordou-me.

-Yah, claro, essa cena cliché das coisas más nos fazerem mais fortes e sei lá o quê.-Ironizei.

-Só por ser cliché não significa que não seja verdade.-Ele encostou a sua cabeça à minha.

-Ainda assim.-Insisti.

-Sabes, eu gosto de comparar a vida a uma montanha russa. Tem os seus altos e baixos mas a verdade é que sempre que estás em alto em em breve vais cair e vice versa, não é? Quando pensas que está tudo bem algo de mau acontece como aconteceu contigo e com o Cal. Mas não te esqueças que quando estás em baixo em breve irás subir. Vai demorar um bocado, mas tudo se resolve.

Eu não respondi e apenas deixei o som das minhas lágrimas percorrer o silêncio até o meu ex-inimigo voltar a falar.

-Tu sabes que um dia vai ficar tudo bem, não adianta negares. Sempre que vais numa descida sabes que vais acabar por voltar para cima mesmo que te pareça que vais a cair.-Ele puxou a sua manga para cima e afastou um pouco as pulseiras de plástico que tinha, deixando à mostra os seus cortes.-Eu às vezes esqueço-me disso e penso no quanto eu gostava de acabar com esta descida de uma vez por todas mas não o faço. Eu corto-me para tentar, de uma certa forma, não fazer pior. Por momentos cortar-me faz-me esquecer de todo o mal que se está a passar. Por momentos eu estou tão concentrado na dor dos meus pulsos que me esqueço do resto. Sei que parece contraditório, mas cortar-me era o que me mantinha vivo, depois de tudo o que passei. Mas desde que começámos a dar-nos melhor eu comecei a perceber que um dia as coisas melhoram e que um dia eu vou voltar a subir. Já não me corto desde que tu descobriste e pode não parecer muito tempo, mas para mim é. Tu és muito importante para mim. Tu és importante e eu não te quero ver assim. Também, por isso eu peço-te não te zangues comigo nunca para eu não ir a baixo outra vez.

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