Não falei muito com o Ashton desde aquela discussão. Mas também não tenciono falar.

Ele não quer que eu o ache um parvo mas também não me conta os supostos motivos pelos quais está a ser um. Isto faz sentido? Não. Se ele quer que esteja tudo bem então que me conte o que se passa.

Eu sei que não tem nada a ver com o pai dele porque quem é que vai para a cama com todas por causa do seu pai? Ninguém. Por isso há algo mais que ele esconde. Ou isso ou ele é mesmo um parvo. E visto que ele não me conta nada, vou supor que ele é um parvo de primeira.

Agora eu estava a caminho da minha primeira aula de contemporâneo com o Ashton a conduzir. Depois dela acabar eu ia ter com a Alison.

Nenhum de nós proferiu uma palavra o caminho todo. Mas não era um silêncio constrangedor. Era um silêncio pesado, o que era ainda pior. Quando duas pessoas se encontram numa situação constrangedora ambas tentam escapar dela, arranjando, por exemplo, assunto de conversa. Mas quando o silêncio é pesado, as duas pessoas esperam que a outra as tire daquela situação e na maior parte das vezes isso só acontece passado algum tempo.

Ele estacionou à beira da academia e apenas esperou que eu saísse. Assim fiz sem dizer nada.

Ok, eu admito. Eu sinto falta do Ashton. Daquele que me levou ao memorial. Afinal de contas é a ele que eu devo o facto de estar mais próxima da minha mãe. Mas a verdade é que não posso simplesmente perdoá-lo só porque sinto a falta dele.

Os meus pensamentos são interrompidos assim que vou contra alguém que estava na entrada da academia.

-Tu nunca vez por onde andas, pois não, Maya?-Perguntou o Dylan.

-Desculpa por ter ido contra ti outra vez.-Disse eu. Pelo menos desta vez não está suado. Já é um começo.

-Não tem mal. Está tudo bem?-Perguntou ele vendo a expressão que eu tinha na cara que provavelmente era de preocupação.

-Sim, sim. Está tudo bem.-Garanti eu disfarçando.-Vou para a minha primeira aula agora. E tu?

-Vou agora para a minha aula de hip-hop. Parece que os nossos horários coincidem ahm?

-Parece que sim.-Disse sorrindo.-Agora tenho de ir. Sabes onde são os balneários?

-Sim. Segues pelo corredor e viras à esquerda, é a segunda porta. E a tua aula deve ser na porta ao lado.

-Ok. Obrigada.

-De nada.

Ele disse e eu segui por onde ele me tinha indicado.

***

-Maya, posso falar contigo?-Perguntou a Sra. Roberts, a minha professora de dança, assim que a aula acabou.

-Claro.-Disse aproximando-me dela enquanto as outras raparigas saíam da sala e iam para os balneários trocar de roupa. Não fiz nenhuma amiga em especial mas elas foram muito simpáticas comigo.

-Já tiveste aulas de contemporâneo antes, certo?

-Sim, porquê?

-Porque era impossível dançares tão bem sem nunca teres tido aulas.-Ela sorriu.

-Obrigada.-Agradeci sorrindo também.

-É dança que queres seguir, não é?

-Sim.

-Tu vais longe, rapariga.-Ela sorriu mais uma vez e começou a arrumar as suas coisas.-Até à próxima aula, Maya.

-Até à próxima aula.-Repeti e saí da sala.

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