Cheguei a casa na sexta-feira seguinte, véspera do meu aniversário, cansada de tentar falar com o Ashton, que me ignorava sempre que eu me tentava aproximar outra vez dele.

Depois do jantar fechei-me no meu quarto.

Estava farta. Simplesmente, farta. Esta discussão dura há tempo demais e eu nunca conseguia falar com ele. Não é interessante como tudo muda? Quando menos esperas algo acontece e tudo o que pensavas ser certo torna-se uma memória. Porque tudo o que nós temos, são memórias. Isto é uma memória. Daqui a uns anos vou olhar para trás e pensar no quão triste eu estava neste dia e como não haviam estrelas suficientes no céu para me reconfortar, por causa das nuvens que as tapavam. Ou posso simplesmente olhar para trás e não me lembrar de nada. E é essa a questão. Só nos lembramos das coisas que, de certa forma, nos marcam e eu preferia me lembrar das coisas que me marcam de maneira positiva. Como por exemplo, o dia do memorial. Em como a revolta que eu sentia desapareceu quando eu ouvi o meu meio irmão a sussurar-me ao ouvido. Eu preferia de longe lembrar-me de coisas assim do que da zanga parva que nós tivemos. Mas, como isto me está a marcar, provavelmente vou me lembrar muito bem disto. E também é isso que me revolta. Quando eu não tiver forças suficientes para criar novas memórias quero ter muitas que possa recordar. E não quero, definitivamente, que o tempo que eu tenho para as criar seja gasto com estas tristes memórias insignificantes, mas marcantes.

Olhei pela janela do meu quarto e vi o meu meio irmão a entrar no carro.

Lá vai ele outra vez comer mais uma.

Respirei fundo e revirei os olhos.

Não tinha o direito de estar assim com ele. Ele faz da vida dele o que ele quer. Mas como discutimos muito naquele dia em que eu lhe dei um estalo, ficamos assim um com o outro.

Eu quero que isto acabe. Eu adoro-o demasiado para isto.

Ora aí está uma frase que eu nunca pensaria ouvir em Setembro do ano passado.

Querido e irritante subconsciente, estou a tentar ter um momento para pensar na minha vida, podes parar de te intrometeres?!

Mas é verdade. Estás a sofrer por causa de um rapaz que odiavas mais do que tudo.

Deixem-me cair na cama e passei as mãos pelo meu cabelo. Acabei por adormecer tentado esquecer os meus problemas.

***

Senti alguém a mexer no meu cabelo ondulado e acordei num sobressalto.

-Calma, boneca.-Disse ele frio e sem qualquer vontade.

Definitivamente queria me irritar mas não queria dar parte fraca e por um sorriso estúpido e preverso na cara quando disse "boneca".

-O que é que queres?-Perguntei irritada e sonolenta. Como já disse antes, estes dois adjetivos não são uma boa combinação.

-É meia noite de dia 6 de fevereiro. Parabéns.-Ele lembrou sem qualquer tipo de expressão, apontando para o relógio na minha mesinha de cabeceira.

-Era preciso me acordares a esta hora para dizer isso?

-Eu queria ser o primeiro.-Ele encolheu os ombros e sentou-se no chão de frente para mim.

-E saíste da festa mais cedo só para seres o primeiro a dar-me os parabéns?

-Eu não fui a festa nenhuma, eu fui comprar isto.-Ele explicou, pousando um saco de papel azul escuro na minha cama.

-E desde quando é que tu te importas?-Perguntei seca.

-Não me importo.-Ele respondeu erguendo a sobrancelha.

-Pois, eu meto-te nojo, não é?-Algo quebra em mim sempre que penso no momento em que ele me disse isso.

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