Finalmente a campainha da escola tocou. Eram quarto e quarenta e cinco da tarde. Em menos de trinta segundos a maior parte dos alunos já tinha saído da sala e só lá estavam alguns, incluindo eu e o rapaz moreno.

Tinha sido um dia cansativo e, apesar de, ao contrário de muita gente, eu não ter problemas com as aulas, acho que nunca quis tanto que um dia de escola acabasse. Só me apetecia ir para casa e deprimir, deitada na cama de um quarto desconhecido ao qual iria chamar "meu quarto".

A única coisa que não foi deprimente neste dia foi o Cal e dei por mim a pensar que, se calhar, fazer amigos ali não ia ser assim tão difícil.

-Queres boleia?-O rapaz que tinha conhecido naquele dia questionou, enquanto saíamos da sala de aula.

-Bem, eu até aceitava, mas eu não sei bem onde fica a minha casa. Eu vou de autocarro. Mas obrigada.-Recusei, enquanto caminhava ao lado dele.

-De nada. Se algum dia quiseres boleia é só dizeres, Maya White.-Ele ofereceu, sorrindo para mim.

-Obrigada, Calum Hood.-Agradeci mais uma vez, sorrindo.

Devido à falta de conhecimento sobre o mapa da escola eu andei sempre um passo atrás do Cal para ver para onde é que ele ia, até chegarmos à saída do recinto escolar.

-Onde é que é a paragem de autocarro?-Perguntei-lhe, mal nos encontrámos lá fora.

-É ali ao fundo.-Informou ele enquanto entrava no seu carro preto, perfeitamente estacionado à frente da escola, e apontava para o fundo da rua onde se via a paragem e várias pessoas à espera do transporte.

-Obrigada, até amanhã.-Despedi-me, sorrindo.

-Até amanhã.-Sorriu.

Ele fechou a porta do carro e foi-se embora, desaparecendo numa curva.

Comecei a andar pela rua fora enquanto punha os fones no meu ouvido.

Eu quero voltar para Nova Iorque, eu quero voltar para Nova Iorque, eu quero voltar para Nova Iorque, eu quero voltar para Nova Iorque,... Pensava repetidamente enquanto a música "For Baltimore" dos All Time Low tocava, na esperança estúpida que se tornasse realidade.

Quando cheguei à paragem sentei-me no espaço do banco que estava livre. Vários alunos e outras pessoas cuja vida, provavelmente, não teria nada a ver com aquela escola também esperavam pelo autocarro. Olhei para o relógio e vi que ainda faltavam dez minutos para as cinco.

O céu continuava cinzento e o ar continuava frio. Mas agora parecia que aquele céu, em vez de me confortar, me estava a fazer sentir mais incomodada. Uma razão para isso? O momento estava mais próximo. Estava nervosa por ir viver com a Rose e o seu filho. Apesar de já a conhecer e de a ver de vez em quando, ir viver com ela era muito diferente. Já para não falar no facto de ir ter um irmão. Mas não havia nada a fazer, aquele era o momento e Nova Iorque estava a quilómetros de distância.

Passei os olhos mais uma vez pela paragem de autocarros e vi o Ashton a curtir com uma rapariga, mesmo ali no meio das pessoas. Nunca gostei de manifestações públicas de afetos. Até podia gritar "Arranjem um quarto!" mas eu não queria causar confusões. Já era mau o suficiente ele estar na minha escola.

Um autocarro parou ali, ainda era muito cedo para ser o que dava para a minha nova casa por isso acabei por não entrar apesar de ter dúvidas.

A rapariga loira que há algum tempo estava a beijar o Ash entrou nesse autocarro. O rapaz despediu-se dela e depois passou os olhos pela paragem, vendo que eu o observava. Desviei o olhar para a rua, onde o autocarro começava a arrancar, com a esperança de que ele não viesse na minha direção. Mas ele já estava a fazer o seu caminho para o assento ao meu lado.

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