-Tenho mesmo de ir às aulas hoje à tarde pai? Acabámos de chegar e eu ainda nem fui à nossa nova casa sequer.-Disse eu, dando a última dentada no hambúrguer do McDonald's.

-É melhor, filha, e não discutas. Mais tarde ou mais cedo vais ter de ir e assim não ficas com aulas em atraso.-Ele reparou, comendo também a sua refeição.

-São as primeiras aulas não vamos dar nada!-Insisti.

-Então não te deve custar estar lá.-Ele sorriu vitorioso.-Sempre aproveitas e fazes amigos.

Sim, como se fosse fácil fazer amigos assim do nada. Toda a gente sabe que eu nunca dou muita confiança a quem não conheço e me custa muito fazer amigos, mas parece que o meu pai não se apercebe. Ou pelo menos, não quer perceber.

-Mas a sério..-Tentei insistir, na esperança de que ele cedesse.

-Não há mas nem meio mas, tu vais e pronto, Maya!-Ele interrompeu-me e eu bufei.

Comi as últimas batatas que tinha meia zangada e acabei a minha refeição, tal como o meu pai.

Saímos do estabelecimento onde nos encontrávamos e fomos em direção à minha nova escola.

A viagem foi passada a conversar sobre aquela cidade, Indianápolis. O seu movimento não se comparava, nem de longe nem de perto, ao de Nova Iorque, mas acho que me conseguiria habituar. Também não tinha outro remédio.

Acho que nunca me senti tão desconfortável na minha vida. Geralmente, quando algo me incomoda muito, eu, ou faço a ação que me está a incomodar parar, ou faço de conta que não me incomoda. Mas naquele dia eu não podia esconder. Eu não estava assustada por ir para outro local, eu estava chateada. E, apesar daquela cidade me parecer adorável, eu estava tão incomodada que só queria sair dali.

Parámos em frente à tal escola, onde se via pelas janelas laterais os alunos a entrar para as aulas e a falar com os seus amigos.

Comecei a sentir saudade dos meus amigos e não sabia se devia ficar feliz por sentir saudades, pois isso significava que não ia esquecer o sentimento de estar com eles, ou se devia estar triste porque não iria experiênciar mais o sentimento de estar com eles. Isto claro, enquanto estivesse em Indianápolis.

A parte da frente da escola, a que eu conseguia ver, tinha uma fachada branca grande e uns degraus de pedra que davam para a entrada.

-Quando acabares as aulas apanhas o autocarro que sai às cinco e sais na terceira paragem. Ok?-O meu pai informou-me e eu parei de observar a escola, olhando para ele.

-Ok. Cinco horas, terceira paragem. -Respondi-lhe sem ânimo, verificando se tinha percebido tudo antes de sair.

-Amanhã venho aqui falar com o diretor sobre a tua matricula. Tem um bom dia, filha, e anima-te.-Ele tentou, sem sucesso, pôr-me feliz.

Como é que é suposto eu animar-me se acabámos de fazer uma viagem de Nova Iorque até aqui, me dói o rabo e não conheço ninguém nesta cidade? Pensei mas não pronunciei nenhuma palavra e apenas respirei fundo.

Dei um beijo na cara ao meu pai, peguei na minha mochila já preparada e saí do carro, fechando a porta atrás de mim.

O ar frio de setembro reinava e o céu estava nublado apesar de ainda estarmos nos últimos dias de verão. Não havia vestígios de sol, nem um raio de luz, e isso fez com que, de certa forma, eu não me sentisse sozinha naquele incómodo que sentia. Foi como se o céu me compreendesse. Ao pensar nisto, pensei também na minha mãe. Em como, se calhar, ela tinha algum efeito na maneira como as nuvens estavam dispostas naquele dia.

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