Suspirei enquanto punha as malas no passeio.

Vou mesmo embora. Pensei triste enquanto me lembrava de todos os momentos que tinha passado nesta cidade.

Há um mês o meu pai disse-me que nos íamos mudar para a casa da sua namorada que fica no centro do país, numa cidade qualquer cujo nome não me lembro. E ali estava eu, mesmo em frente à minha antiga casa, com as malas de viagem feitas, a ouvir Ed Sheeran, à espera que o meu pai saísse de lá de dentro.

Um desconhecido qualquer, provavelmente, iria alugar o meu antigo apartamento no prédio de tijolos vermelhos já antigos, no qual tinha vivido toda a minha vida, no qual tinha criado as mais bonitas memórias, e só passado uns meses é que iria descobrir as imperfeições daquele adorável T2 em Nova Iorque. Como a falha na parte esquerda da banca da cozinha, mesmo atrás do fogão, ou o risco do tamanho de uma unha no canto inferior direito da porta de madeira do quarto de solteiro, ou até o meu nome que eu escrevi, a marcador permanente, quando tinha sete anos, na parte interior do armário embutido na parede da sala, ou os locais em que o soalho rangia. Eu já sabia isso tudo. Mas isso tudo tornou-se inútil pois eu não pude fazer nada para ficar lá.

O pior de tudo, e o que me fazia mais impressão nisto tudo, era o facto de me ir separar da minha mãe. Ou melhor, do local onde a presença da minha mãe ficava. Ela morreu no ataque às torres gémeas quando eu tinha três anos e às vezes, ou seja grande parte do tempo, sinto falta de uma figura maternal. Gostava de a ter conhecido melhor pois quase nem me lembro de ver a cara dela. A única lembrança que tenho, que não me foi recordada por fotografias, é a de eu e ela irmos a um parque, à noite, no verão de 2001, e estarmos as duas a ver as estrelas.

Desde que o desastre aconteceu o meu pai nunca se apaixonou por mais ninguém, até ao verão de há dois anos para cá, quando conheceu a Rose numa convenção de médicos qualquer.

Desde então eles os dois mantêm uma relação à distância bastante estável ao que parece. Ela às vezes vem nos visitar e ele é muito simpática. Ela é loira, de olhos azuis e tem umas feições amigáveis. Não é muito alta nem muito baixa. Às vezes o meu pai vai visitá-la a ela, mas eu nunca fui com ele. A Rose também tem um filho com a minha idade. Ela já me falou dele, mas eu não prestei muita atenção por isso não me lembro de quase nada sobre ele, nem sequer o nome. A questão é que, há um mês o meu pai perguntou se ela queria viver com ele e ela disse que não queria mudar de cidade. E adivinhem o que é que respondeu o meu pai? Que, então, mudava ele. Acho que ele estava um bocadinho farto de Nova Iorque e lá acabou por dizer que se mudava sem primeiro medir as consequências que teria na vida da sua estimada filha ou perguntar-me se queria mudar de cidade. Sim, porque eu não tive voto na matéria.

Seja como for, lá estava eu à porta do meu prédio. Usei uma das malas de viagem como apoio para me sentar um bocado e continuei a ouvir a música. All of the stars começou a tocar.

It's just another night
And I'm staring at the moon
I saw a shooting star
And thought of you
I sang a lullaby
By the waterside and knew
If you were here
I'd sing to you
You're on the other side
As the skyline splits in two
I'm miles away from seeing you
I can see the stars
From America
I wonder, do you see them, too?

So open your eyes and see
The way our horizons meet
And all of the lights will lead
Into the night with me
And I know these scars will bleed
But both of our hearts believe
All of these stars will guide us home

I can hear your heart
On the radio beat
They're playing "Chasing Cars"
And I thought of us
Back to the time
You were lying next to me
I looked across and fell in love
So I took your hand
Back through lamp lit streets I knew
Everything led back to you
So can you see the stars?
Over Amsterdam
You're the song my heart is
Beating to

So open your eyes and see
The way our horizons meet
And all of the lights will lead
Into the night with me
And I know these scars will bleed
But both of our hearts believe
All of these stars will guide us home

And, oh, I know
And, oh, I know, oh
I can see the stars
From America

O ar naquele dia estava frio, apesar de ainda ser verão e a rua estava cheia de gente, tal como costuma estar nesta cidade. Senti-me sozinha, como se as únicas coisas que eu conhecia e que me faziam sentir em casa de repente desaparecessem. A verdade era essa, elas estavam a ir embora. Nova Iorque, por momentos, deixou de me parecer a minha casa e apenas passou ser uma cidade sombria, onde as pessoas não conhecem ninguém em lado nenhum e onde tudo está muito longe de todos. Onde tudo parece inalcançável e no entanto tão perto. Tudo me pareceu confuso demais, até para mim e, por momentos, deixei de fazer parte daquilo que em tempos chamei casa.

Percorri os meus olhos por aquela rua cujo movimento, apesar de grande, não se comparava ao de outras ruas naquela cidade e os meus olhos iluminaram-se mal vi o Liam, o meu ex-namorado e atual amigo, e a minha melhor amiga, Amy. Eles aproximaram-se e eu tirei os meu fones.

-Vocês vieram?-Perguntei eu surpreendida pois eles tinham dito que provavelmente não conseguiriam vir.

-Nós não temos aulas de manhã este ano, por isso podíamos vir ter contigo. Além disso é o primeiro dia de aulas depois do verão e podemos dar a desculpa de que não estamos habituados a ter de ir para a escola.-Respondeu o Liam despreocupado, como se não quisesse saber.

Eu sabia que ele estava só a brincar.

-E também nós não te deixavamos ir embora sem nos despedimos de ti.-Acrescentou a Amy.

-Ainda assim é muito cedo.-Comentei com um sorriso.-Devo ser mesmo importante para vocês, seus anormais.

Eles sorriram e abraçaram-me.

Um abraço apertado dos quais nunca queres sair. E a verdade era essa, eu não queria sair. Ia para outra cidade onde não conhecia ninguém e tinha o pressentimento de que não ia correr bem. Não é que eu tivesse medo da mudança, porque não tinha, apenas não queria mudar.

Eles eram meus amigos desde há muito tempo e passei muitos momentos com eles, ia ser difícil estar longe daquilo. Ainda por cima, como íamos para o décimo segundo ano teríamos muito trabalho com os exames e assim e, por isso, seria difícil falar com eles.

De repente ouço alguém a bater a porta do prédio. Era o meu pai. Desfizemos o abraço em que nos encontrávamos.

-Olá meninos!-Cumprimentou ele, enquanto se aproximava de nós com mais uma mala na mão.

-Precisa de ajuda Senhor White?-Perguntou a minha melhor amiga.

-Não obrigada, Amy. E já te disse que me podes tratar por Andrew.-Disse ele com um pequeno sorriso na cara.

Despedi-me deles mais uma vez, abraçando-os aos dois e entrei rapidamente no carro, assim como o meu pai que me lançou um sorriso quando arrancou.

E eu ia-me embora. A pior parte de ir embora para mim não é ter saudades das pessoas ou dos lugares, é precisamente o contrário. Eu tenho medo de esquecer o sentimento que tinha em relação às coisas que passei. Como se não significassem nada para mim.

Apesar de estar triste, tentei não fazer só momento da despedida um momento muito lamechas. O que, obviamente, não resultou porque quando olhei para eles da janela do carro, já em movimento, vi-os a chorar os dois e tive de limpar as lágrimas que também me caiam no rosto.

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Hey!

Então o que acharam do primeiro capítulo da fic?

Espero que tenham gostado obrigada por lerem!

Bjs xx

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