-Ashtonzinho, vais dizer-me o que se passa ou não?-Finalmente perguntei assim que chegámos a casa na sexta-feira. Ele andava estranho, algo o andava a incomodar desde segunda mas eu não lhe tinha perguntado nada ainda. Estava antipático, pior do que estava antes de eu me mudar para Indianápolis.

Ele olhou para mim com os seus lindos olhos cor de avelã e depois desviou o olhar, deixando-me sem resposta e limitando-se a entrar em casa.

-Vais ignorar-me, é?-Eu perguntei indo atrás dele e pousando a mochila no hall de entrada.

-Vai por isso no quarto, senão fica tudo desarrumado.-Ele ordenou apontando para as minhas coisas.

-Desde quando é que te preocupas tanto com a arrumação?-Eu perguntei.

-Desde quando é que és tão chata?-Ele ripostou. Oh não, tu não fizeste isso, rapaz.

-Desde quando é que te tornaste tão irritante? Foi desde o momento em que o teu pai decidiu sair de casa?-Ele engoliu em seco e passou as mãos no seu cabelo em sinal de frustração. Foi aí que percebi que tinha exagerado.-Desc...

-É por isto que eu não me abro com ninguém.-Ele interrompeu e subiu as escadas.

Felizmente estávamos sozinhos em casa, pois os turnos dos nossos pais acabavam mais tarde hoje.

Segui-o até ao quarto dele e antes que ele pudesse fechar a porta eu entrei.

-Sim, claro, porque obviamente estás a abrir-te comigo quando não me dizes o que se passa.-Eu ironizei e ele revirou os olhos.

-Maya, por amor de Deus! Eu não tenho de te contar tudo, ok? Nós não temos nenhum contrato que me diga que eu te tenho de contar isto ou aquilo ou tudo o que se passa na minha vida!-Ele ripostou.

-Sim, realmente é melhor cortares-te!-Eu disse sarcástica.-Eu não quero que faças isso outra vez, ok? Eu só estou a tentar ajudar-te!

-Não é a mandar bocas sobre o meu pai que me vais ajudar!-Ele resparou, respirando fundo.

-Eu peço desculpa, Fletcher, mas eu não suporto estar a tentar ajudar alguém e essa pessoa começar a dizer que eu sou chata, só isso.-Eu expliquei, sentando-me na sua cama.

-Eu sei.-Ele admitiu, sentando-se ao meu lado e eu encostei a minha cabeça no seu ombro.

-O que é que se passa?-Insisti.

-O que é que tu achas que se passou entre o teu pai e a minha mãe morreu início da semana?-Ele perguntou e eu encolhi os ombros.

-Foi só uma zanga, é normal.-Eu deduzi.

-Sei que parece estúpido mas quando vi o estado em que eles estavam na segunda, só me apetecia dar um estalo ao teu pai.-Ele admitiu e eu ergui a cabeça, surpreendida com as suas palavras.-Com o devido respeito, claro, mas apetecia-me.

-Não é por dizeres "com o devido respeito" que tens mais ou menos respeito, sabes disso, certo?-Eu perguntei e ele riu um pouco.

-Eu sei. É só que quando os ouvi a berrar lembrei-me do que o meu pai costumava fazer.-Ele esclareceu.

-O que é que ele costumava fazer?-Questionei e ele olhou-me sem expressão aparente.

-Ele zangava-se muitas vezes com a minha mãe e...ela sofria de violência doméstica.-Ele admitiu, engolindo em seco.-Eu era novo e não fazia nada contra isso. Claro que ficava chocado e conversava com a minha mãe sobre isso mas a única coisa que ela dizia era que ele não estava bem e que eu lhe devia dar um desconto. Ela só o defendia.

-Lá por o teu pai ter feito isso não significa que o meu faça.-Eu lembrei e ele assentiu.

-Às vezes é difícil lembrar-nos que ainda há coisas que são positivas quando tudo até agora tem sido negativo. Às vezes esqueço-me que metade do mal que aconteceu é só memória.-Ele explicou.

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