Capítulo 06: Pingkeu Sibjaga

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Kagiej, Japão

1992

A estátua de Tazuka tinha pelo menos dois metros de altura, o que fez Rei pensar que ela havia sido feita no tamanho real do guerreiro que viveu a mais de cinco mil anos. Ele tinha uma kodachi em cada lado da cintura, presas mais ou menos como estariam se fossem katanas. Tazuka tinha a mão esquerda na bainha da espada do mesmo lado e a mão direita no punho, como se estivesse prestes a sacá-la.

Rei notou que as juntas da estátua, inclusive a dos dedos. Ainda assim, precisou forçar um pouco para conseguir mudar a posição da estátua para o lado oposto, de modo a fazê-la segurar a espada da direita da mesma maneira que estava antes, o que a fez parecer dentro de um espelho.

Um click veio de trás da estátua, revelando uma abertura em porta duas. Ele não hesitou em entrar, ouvindo a porta se fechar atrás de si para a escuridão – perguntou-se se os braços da Tazuka haviam voltado para a posição original. Rei não temeu a ausência de luz, pois a escuridão era sua natureza shinobi.

Não sentiu escada ou declive sob seus pés. Esticou os braços para as laterais, para descobrir-se um palmo de distância para tocar as duas paredes ao mesmo tempo. Esperou alguns minutos para suas pupilas se ajustarem a escuridão; mesmo assim, ainda não conseguia ver a mão logo diante de seus olhos. Ali, não entrava qualquer luz. Com a mão direita na pedra, ele deu os passos em frente.

O ar mudou de repente, não estava mais preso, pesado e quente; agora estava mais leve e fresco, com um aspecto mais gelado, como se fosse o ar úmido de uma caverna. Rei desejou enxergar o que existia diante dele, já que poderia ser um precipício que caí até o centro do mundo. Tateou com os pés para garantir que havia chão a frente, mas assim que o fez, luz surgiu. Três tochas se acenderam magicamente, brilhando uma chama vermelho-rosada, como os pelos da forma de raposa de Min-ji.

Em algum momento do passado aquele lugar foi uma armaria, com suportes de madeira para katanas nas paredes e estruturas para sōjutsus; no entanto, havia apenas duas espadas enferrujadas e nenhuma das lanças. No centro, porém, havia um altar de madeira muito bem trabalhado. Rei reconheceu que as marcas nele contavam um pouco da história de Fenrir, o lobo da mitologia nórdica; ele achou meio fora de contexto, mas havia lido em algum lugar que Tazuka tinha um intenso interesse naquelas histórias. Aquele altar tinha mais de cinco mil anos.

A san soo do que estivera na mente de Rei estava no altar, presa por travas. Rei podia sentir a magia vindo daquelas travas.

– Okami. – Ele disse.

As travas abriram-se, liberando a espada. Rei tomou-a em mãos e, assim que a tinha, o altar arrastou-se para baixo, revelando uma passagem escondida ali. Tochas se acenderam dentro do novo corredor, e elas subiam vários e vários metros iluminando um lance gigantesco de escada. Ao mesmo tempo, as tochas da armaria apagaram-se. Ele correu.

As escadas terminavam atrás de um quadro – no qual havia a pintura de uma paisagem japonesa. Rei já tinha visto o quadro dezenas de milhares de vezes, pois ele ficava na sala de treinamento mais comum, por onde todos os ninjas passavam durante os primeiros anos na Raimei.

Sorriu. Durante toda sua vida, ou pelo menos, quando não havia nada mais importante acontecendo, eles e seus irmãos sempre se perguntaram o que havia atrás daquele quadro – todos podiam sentir uma pequena corrente de ar saindo dele, mas ninguém jamais conseguiu abri-lo.

Rei ouviu trancas se fechando e o barulho de pedra se arrastando, o que poderia indicar que aquela passagem havia se fechado; se para sempre ou não, era um mistério. Notou que havia ali uma fileira de uniformes que provavelmente seriam dados a novos recrutas. Não teve medo de se apossar de um que lhe servia; em segundos, trocou-se.

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