Capítulo 02: Heart of Betrayal

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Dos Grimórios de Gillard Eileen, Mestre da Casa de Eli

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As histórias me levaram até Kaffa, um movimentado porto na península da Criméia. Elas coincidem com rumores dos atos de um feiticeiro que venho perseguindo há quase três meses. Meu primeiro contato com o trabalho daquele que chamo de Morte Negra foi um vilarejo inglês, onde todas as pessoas haviam sido mortas de maneira horrenda.

Todos eles tiveram febres acima de trinta e oito graus, arrepios e dores de cabeça. Os que estavam no estágio mais avançado tinham suas línguas inchadas, por pouco não tapando suas gargantas e impedindo a respiração. Mas aqueles que estavam mais perto da morte tinham suas peles na cor de carvão, e eram tão frágeis quanto.

Em Kaffa, encontrei alguém que demonstrava os primeiros sinais da doença: tosse e a febre alta que deixava as peles do paciente vermelhas.

Não foi um problema conseguir abrigo na catedral local. O padre era jovem e com feições inexperientes, cabelos de palha, olhos como o céu e um nariz que mergulhava no vinho toda vez que tomava a Santa Ceia. Seu nome era Ugo Carrol.

Ao cair da noite, havia-me instalado em aposentos limpos na torre leste da igreja. O jantar foi servido por uma moça jovem e de pele morena com um pequeno ponto vermelho na testa. Ela não vestia um hábito tradicional, o que significava que ela era serva pessoal de alguém da igreja – o padre parecia muito novo, era mais provável que Bispo Sebastiano Lombardo, que estava na cidade para supervisionar o novo padre.

– Não é muito comum uma indiana em terras ocidentais – eu disse em hindi, depois de agradecer pela comida; ela ficou extremamente surpresa – você deve ter uma história interessante. – A jovem não conseguiu encontrar suas palavras e fugiu pela porta.

Deleitei-me do gizado de galinha, apesar na noite quente. Fiz minhas orações e meu flagelo de apenas sete batidas, pois não havia usado os poderes da Casa de Eli.

Na manhã seguinte, depois das minhas orações, fui para a casa de Petros Bernhard. Encontrei-o acamado e febril. Ajoelhei-me ao seu lado e pedi perdão ao Senhor pelo que estava prestes a fazer.

De minha mala, retirei um frasco de água benta abençoada pelo Papa Clement VI. Com cinco gotas, fiz o sinal da cruz tocando na testa, peito e ombros; a quinta gota depositei em seu pescoço, onde a pele estava vermelha e, estranhamente, escamosa – um pouco diferente do vilarejo inglês. No fim da benção, ele gritou de dor, pois a água benta queimava sua pele.

Havia duas possibilidades: possessão demoníaca ou feitiçaria. Considerando minha experiência na Inglaterra, tratava-se do segundo, mas precisava ter certeza. Tirei meu rosário e coloquei em volta do pescoço de Bermhard.

Daemonium revelare. – Disse as palavras que revelariam uma possessão, se fosse o caso.

Imediatamente, pedi perdão ao Criador, pois Sua Palavra condena os bruxos, feiticeiros e magos, todavia, era impossível levar justiça divina aos magos do mundo. Por isso, a Casa de Eli foi criada. Meu feitiço não revelou a existência de demônio algum, confirmando minha teoria.

Preparar o contrafeitiço seria a parte mais complicada. Sem identificar o tipo de magia que fora usado para conjurá-lo, não tinha como saber quais ingredientes poderiam combatê-lo. Infelizmente, na Inglaterra não fui capaz de desvendar esse mistério.

O primeiro passo seria descobrir qual o tipo de magia foi usado – meu primeiro palpite era a Arte Demoníaca pois era a mais comum entre os homens e a mais simples de se aprender. Ao mesmo tempo, o Morte Negra era talentoso o bastante para ser um mago de outro estilo.

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