Capítulo 05: Soul of Purity

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Dos Grimórios de Gillard Eileen, Mestre da Casa de Eli


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Uma das regras da projeção astral era em relação a objetos físicos. Ao levantar ou manipular qualquer coisa, uma pressão gigantesca era colocada sobre o feitiço que me mantinha no Equilíbrio. Quanto mais objetos eu tocasse, menos tempo eu poderia ficar ali. Por isso, tive que limitar minha sede de conhecimento apenas aquilo que julguei irrelevante. Todavia, ali havia pergaminhos e livros extremamente antigos e únicos.

Encontrei textos históricos que pertenciam às Doze Cidades de Ouro, Atlantis, Ciphar e Kumari Kandam; muito pouco a Igreja sabia sobre essas terras e continentes misteriosos que há muito tempo desapareceram da face da Terra. E ali estavam textos destes lugares, sobreviveram a milhares de anos de chuva, fogo, incêndio, batalhas e todo tipo de coisa, natural ou não.

As duas peças mais interessantes que haviam ali pertenciam ao misterioso continente de Mu, uma terra que ninguém havia colocado em um mapa, pois estava em constante mudança. Um deles era uma estatueta de algo parecido com um gato, porém com quatro olhos e dois mini-chifres de cervos em sua cabeça. Devido a sua antiguidade, os detalhes haviam se perdido. Eu não tinha ideia do nome daquela criatura ou sua função na sociedade da qual vinha.

O segundo objeto, e provavelmente o mais interessante, era um pergaminho, o único que ousei abrir. A língua na qual estava escrito era ininteligível; não havia nenhum registro em qualquer livro guardado pela Igreja ou grimório da Casa de Eli – eu já havia lido todos ao menos uma vez. Como eu queria analisar e traduzir aquelas palavras. Mas tive que colocá-lo de volta em seu lugar.

Encontrei a primeira menção da Peste Negra em um livro que o próprio Willard estava escrevendo. Um grimório de um Van Helsing era provavelmente um dos textos mais perigosos e repletos de conhecimento do mundo, pois eles não possuem moral ou covardia para experimentar, seja com vidas de animais, seres mágicos ou humanos.

De acordo com seu relato, existiam duas almas especiais no universo, tão importantes para o Equilíbrio quanto a magia e a Morte, mesmo que elas não fossem tão antigas quanto a Morte. De fato, tais almas haviam sido forjadas por Lúcifer a partir da alma de dois filhos de Adão, um homem e uma mulher. De alguma forma não descrita no grimório, ele havia unido as metades escuras em uma única alma, o que forçou as partes de luz se unirem, para manter o Equilíbrio.

A escuridão chamava-se Hezron, enquanto a luz chamava-se Felity. Eles nunca existiam sozinhos, já que um era o equilíbrio do outro. Quando um novo Hezron surgia, uma nova Felity surgia. Encontrei um registro com dezenas de nomes que foram um ou outro, contudo, sempre num padrão: a escuridão eram homens e a luz eram mulheres.

Charlene Houghton e Dannel Lavigne, Thalia ten Broeke e Maarten Hek, Kunie Nishio e Takamichi Taihei, eram apenas alguns dos mais recentes, datando até apenas dois séculos antes. Um nome, porém, foi completamente inesperado, Philippe de Valois, o último Rei da França que acabara de morrer. O nome que o acompanhava era Anannya Amble, um nome indiano, sem dúvida.

Deduzi algo que foi confirmado alguns parágrafos depois: a Peste Negra havia sido criada a partir da energia de Hezron. Willard estava usando uma conexão que adquiriu quando cruzou com Philippe na Inglaterra. Na época, ele vivia em uma pequena vila, cujo nome era o mesmo na qual eu havia encontrado a primeira vítima da Peste alguns anos atrás. Descobri no grimório que ele, e toda a vila, foram apenas um terrível teste feito por Willard.

Avancei mais em minha leitura para descobrir que Willard havia conseguido, poucos meses antes – que coincidentemente era o mesmo período da morte do rei – retirar Hezron de Philippe e que estava em possessão dele desde então. Imaginei que a remoção da alma foi o que causou a morte do rei.

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