Capítulo 02: Munmeon Sonyeon

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Coreia do Sul, Terra

1992

Os três sentavam-se à mesa da cozinha. Rei havia pego uma camiseta que Hyo tinha que ficava grande. A menina havia se recusado a sair sem que tudo tivesse sido esclarecido, a começar pela conexão de Rei e Sook; como eles haviam se conhecido.

– Foi muito antes de sua mãe ou você nascerem. Eu tinha apenas dezoito anos, assim como ele – apontou para Rei – mas ele envelhece mais lentamente por causa do símbolo no peito.

– Ele se chama Inazuma. – Ele acrescentou, estranhamente animado. Hyo fitou-o de canto de olho.

– Bem, ele precisou de minha ajuda, mais ou menos como hoje, e eu o ajudei. Nos tornamos amigos. – Hyo sabia bem que havia muitos, muitos, mais detalhes naquela história; eles estavam muito confortáveis um com o outro.

Rei olhou para os lados, como se procurasse por alguma coisa. Ele sacou sua kodachi – Hyo não notara quando ele havia pego a arma ou onde a tinha guardado até então – ainda procurando por algo nas sombras. Ele bloqueou uma shuriken que veio girando em alta velocidade em sua direção. Num piscar de olhos, ele saltou na frente das duas, bloqueando outras estrelas ninjas que voavam contra elas. Hyo notou que elas vinham de vários pontos diferentes da casa, atravessando as paredes.

O ninja disse para elas correrem para o lado de fora da casa. Ele corria praticamente invisível em volta delas protegendo-as de diversos ataques. Hyo sentia seu coração batendo rápido, sua respiração ofegante, enquanto trocava os passos rápidos. Ela tropeçou em um dos dois degraus da entrada; sua avó a ajudou a manter o passo.

Rei parou diante da casa, olhando para trás para garantir que as duas estava a uma distância segura. Três homens estavam parados sobre o teto da casa; dois deles tinham uma kodachi em mãos, enquanto outro tinha duas katanas. Não era muito comum que os ninjas Raimei usassem espadas longas, mas Isamu – este era o nome – tinha uma afinidade especial com as armas samurais. Rei nunca descobrira a razão de fato, no entanto, rumores diziam que sua família era descendente de samurais.

– Mil gerações de tradições – o que estava no meio deles disse; ele era um pouco mais alto que os outros dois, mas Rei apenas o reconheceu por causa da voz – e irmandade. A reputação da Raimei sempre foi de lealdade àqueles que nos contratam. E você, num simples ato, destruiu tudo isso.

– Não destruí coisa alguma, Yuusuke. Não fui escolhido para essa missão, mas eu escolhi ir contra ela. – Retrucou.

De acordo com as leis dos Raimei, um membro pode buscar coisas pessoais, amizades inclusive. Também é permitido que eles usem suas habilidades para proteger tais coisas; a lei, porém, condena que você proteja o que é o pessoal caso isso vá contra uma missão dada a você. Rei tinha encontrado uma brecha. Ele podia defender aquilo que amava, mesmo indo contra a missão de outros ninjas.

– Dê-nos a Gumiho. – Yuusuke vociferou; seu rosto estava coberto, mas Rei podia ver o fogo da ira em seus olhos.

Isamu e o outro ninja saltaram para o solo. Sem hesitar, eles atacaram Rei, que virou sua kodachi ao contrário, numa posição defensiva. Indo mais rápido do que os olhos míopes de Hyo podiam acompanhar, ele bloqueou uma das katanas de Isamu e, virando-se, protegeu-se de uma kodachi. Desviou demais ataques, abaixando, encurvando-se, dobrando os joelhos, saltando e fazendo diversos movimentos acrobáticos.

– Segure minha mão! – Sook disse de repente, pegando Hyo de surpresa. – Estou cansada para fazer isso sozinha, mas com sua ajuda, eu posso salvar Rei.

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