Capítulo 06: A Ordem da Rosa Cruz

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Egito, Terra

Avary estava diante do prédio em que a Ordem estava se reconstruindo. De acordo com o Artista e a Bruxa, eles haviam sido aniquilados meses antes, mas por se tratar de uma organização presente no mundo inteiro, eles se reergueriam rapidamente. Novos membros estavam sendo escolhidos e eles estavam baseados ali, já que o prédio antigo – onde ela tinha acabado de manipular um portal para o Duat – estava fechado.

Por ser um dos maiores prédios do Cairo, ele era aberto ao público, pelo menos, o hall o era. A parte difícil do plano era descobrir qual era o andar da Ordem e, uma vez lá, encontrar o hekat e o nekhakha. Não havia muitos turistas no local; Avary entrou e foi direto para uma das recepcionistas. Usou um feitiço simples para manipular a mente da atendente – um hieróglifo dourado brilhou em sua testa uma única vez, para então desaparecer. A mulher informou que a Ordem da Rosa Cruz ficava no décimo-terceiro andar e apontou qual elevador Avary devia pegar.

Dois homens – que pareciam mais armários mesmo – armados estavam do lado de fora do elevador, servindo de guardas para ele. Aparentemente, aquele era o único elevador que ia até o décimo-terceiro andar. Obviamente, eles não permitiram a passagem de Avary, que precisou usar feitiços para controlá-los, contudo, alguma coisa saiu errado, pois os dois entraram com ela no elevador.

Enquanto subiam, ouvindo uma versão estranha de uma música popular, nenhum deles falou coisa alguma. Bast, dentro da mente da menina, tentava descobrir o motivo de seu feitiço ter saído errado, apesar da resposta ser um pouco óbvia: outro mago. Aparentemente, eles haviam sido enfeitiçados para acompanharem qualquer um que usasse magia para entrar no elevador. Esperto, muito esperto, Avary pensou.

Quando as portas do elevador abriram no andar certo, havia um imenso hieróglifo avermelhado que cobria toda a abertura. Ele estava protegendo a entrada; assim que os guardas viram esse símbolo, eles tentaram sacar suas armas para matar Avary que, ligeira e gatuna por causa da deusa, desarmou-os num segundo. A luta no elevador não durou muito, já que os dois eram apenas humanos – sem magia – tentando lutar contra uma deusa com milhares de anos de experiência pratica lutando contra uma cobra gigante.

Uma vez que eles estavam tirando um cochilo forçado no chão, Bast avaliou o feitiço diante dela. Por causa do tom avermelhado do brilho do hieróglifo, sabia que tinha sido conjurado por um humano. Ela esticou o braço na direção do símbolo, sem tocá-lo, e recitou algumas palavras em árabe-egípcio antigo. O hieróglifo tornou-se dourado; Avary sabia que ela não tinha simplesmente quebrado o feitiço, mas sim, o tinha modificado, para permitir a passagem dela e de ninguém mais, assim, elas estariam seguras para procurarem as armas do faraó.

A sala diante delas era impossivelmente larga, muito maior do que o andar do prédio. Pelos hieróglifos nas paredes, Avary sabia que havia sido usado magia para ampliá-la. Havia ali dezenas de prateleiras de ferro cinza carregadas de caixas de madeira e papelão. Ela foi de corredor em corredor, porém, quando estava no terceiro foi interrompida.

Havia um homem parado no fim daquele corredor. Ele tinha em mãos um cajado em cuja ponta havia a cruz Ankh, que para o antigo Egito, aquele era o símbolo da vida. Sua roupa era nada além de um pedaço de pano branco com detalhes em dourado e azul enrolado na cintura, o que formava uma espécie de saia que cobria suas partes íntimas. Havia tatuagens por todo seu corpo, a maioria era de hieróglifos egípcios. A pior parte, porém, era o rosto; ele havia tirado todo e qualquer pelo da face, incluindo sobrancelhas e cílios dos olhos. Ele era completamente desprovido de cabelo; no meio de sua testa tinha tatuado em preto o olho de Hórus.

Com uma palavra em árabe-egípcio-antigo e um movimento do cajado, ele lançou uma rajada de ar quente na direção de Avary, que cruzou os braços na frente do rosto – formando um "x" – e tentou manter os pés firmes no chão, embora, mesmo assim, ela foi arrastada vários metros.

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