Capítulo 05: A Maldição de Repton

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Derbyshire, Inglaterra

1995

Das setenta horas que passou na morada de Jasper Foulger, Emery lembrava-se apenas das últimas duas. Nelas, estava apenas acompanhada deles. Alimentou-se e teve água para beber. Antes que a esposa retorna-se, Emery já estava no trem para Derbyshire. Perdera dias preciosos; travou batalhas cansativas. Enquanto isso, Kimmo descansava e reservava força.

Quando o encontrar, teria uma luta extremamente difícil.

Viu a vila de Repton de longe, apesar de ser um lugar pequeno. Entretanto, não foi à beleza do lugar que capturou sua atenção, mas sim a poderosa magia que vinha de lá. Uma magia antiga e poderosa.

Na Terra, existem lugares em têm uma conexão especial com a Magia. A maioria desses lugares eram locais em que os mundos convergiam, como as Sete Portas para o Inferno ou como o Triângulo das Bermudas. Outros lugares podiam ser criados por magos, feiticeiros ou Artistas. Usualmente, quando acontecia uma batalha entre dois feiticeiros poderosos e um deles acabava perdendo a vida. Repton foi o palco de uma dessas batalhas, a qual ceifou a vida de ninguém menos que Merlin.

Emery conhecia a história, pois seu mestre a tinha contado inúmeras vezes. Desde então, magos, feiticeiros e Artistas do mundo inteiro vão até ali para usufruir desse poder remanescente. Milhares dos feitiços mais poderosos começaram ali, inclusive a Peste Bubônica, responsável por tirar a vida de milhares de milhares de pessoas por todo o mundo. Alguns dizem que ali também foi forjado o gás mostarda, que foi umas das armas mais letais da Primeira Guerra Mundial.

No entanto, Emery podia sentir algo a mais. Uma distorção. Uma profanação. O trem parou na estação; ela desceu. O feitiço estava logo à frente dela, descendo as escadas para entrar em Repton. Esperou ficar sozinha na plataforma, desembainhou parcialmente Eathcyn, cortou sua mão esquerda e deixou o sangue molhar o hieróglifo em sua mão. Esticou o braço para frente e entrou na cidade.

O feitiço tentou entrar em sua mente, podia sentir a pressão. A sua volta, a cidade começou a ser coberta por uma manta de neblina grossa. Em poucos minutos, não podia ver mais do que um metro a sua frente. As pessoas não pareciam notá-la, quase como se ela fosse invisível.

Sua mão tocou algo. Imediatamente ela reconheceu a superfície áspera e musgosa, um tanto frágil por fora, mas praticamente indestrutível por dentro. Uma árvore. Ela não tinha visto uma árvore quando entrou na cidade, principalmente uma diretamente a frente dela.

A névoa ao seu redor começou a desfazer-se, revelando não a cidade de Repton, mas sim uma gigantesca floresta, não apenas de extensão, mas de composição. As árvores eram gigantescas, maiores do que qualquer planta na Terra. A que Emery tocava era tão grande, que para dar um abraço em seu tronco, seriam necessárias cinquenta pessoas.

Emery estava em casa. Não, pensou, é impossível. Continuou caminhando, dando a volta pela árvore. Uma sombra passou por sua visão periférica. Não virou o rosto para conferir; sabia que se fizesse isso, a sombra não reapareceria. Portanto, voltou a caminhar. Dessa, passou pelo outro lado. A assassina previu esse movimento e saltou. Agarrou o pescoço daquele que a seguia. A pele era gelada e um tanto dura. Soltou-o assim que descobriu quem era.

Sua pele era pálida, como se ele vivesse em cavernas, e visse a luz do sol poucas vezes. Em volta de seus olhos amarelos e de pupila vertical, assim como em sua cabeça – em que deveria haver cabelo –, mãos, dedos, unhas, joelhos e muitas outras partes de seu corpo, havia escamas pretas, como as de uma serpente. Ele não sorriu, mas Emery lembrava-se de que seus dentes eram afiados em "V", como os de um tubarão.

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