Capítulo 03: A Caçadora e a Feiticeira

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Londres, Inglaterra

1995

Emery bufou ao parar na entrada da Biblioteca Britânica. Livros e mais livros esperavam para serem lidos. Se pudesse, queimava todos eles, mas sabia que muitas informações importantes estavam neles. E informação é poder. Seu mestre sempre dizia isso.

Um ônibus parou do outro lado da rua e, dele, dezenas de pessoas desceram; todos de cabelo brancos. Ela sorriu. Melhor do que livros, eram guias turísticos.

Procurou manter sua espada escondida dentro do sobretudo de lã. A mulher que os guiava era claramente londrina, mas estava com sobrepeso. Emery se perguntou como aquelas pernas sustentavam seu tamanho. Com um sorriso falso, mas muito acreditável, aproximou-se do grupo.

– Estou a caminho de Derbyshire – perguntou em inglês para a guia depois de apresentar-se – e soube que há um rei enterrado.

– Sim, dois, na verdade. O Rei Æthelbald e o Rei Wiglaf, ambos da Mercia. Em Repton, na Igreja St Wystan's, em Repton. – Ela explicou com um sorriso imenso.

Emery pensou em agradecer, para ser diferente do costume. Todavia, suas intenções foram frustradas. Uma mulher que estava no grupo, porém um pouco afastada, gritou; todos se voltaram para ela apenas para descobrir que a velha, estupefata, apontava para o lado oposto. Emery viu dezenas de homens correndo em sua direção. Com a insígnia dos Fantasmas do Sereno em seus peitos.

Aqueles não eram soldados comuns. Eram chamados de soldados rasos, corpos sem alma ou visão que eram controlados remotamente por algum mago. Emery nunca tinha encontrado com os rasos, mas ouvira histórias de cidades inteiras que foram destruídas, cujos moradores haviam sido comidos até sobrar apenas manchas de sangue no chão.

– Corram. – Ela disse para os turistas, que obedeceram sem pensar duas vezes ou hesitar.

Emery tirou o sobretudo enquanto corria. Sacou sua espada e cortou um hieróglifo que havia em sua perna; tal símbolo seria capaz de aumentar sua velocidade. Assim, ela teria uma chance melhor contra os rasos. Atingiu o primeiro deles e o cortou no estômago. Como imaginou, isso não o parou. Girou e cortou sua cabeça, que rolou no chão – ouviu o grito assustado de algumas pessoas que se escondiam na rua. Sem a cabeça, o corpo parou de se movimentar; mas ele ainda estava "vivo". Sua boca se movia, como se mastigasse algo.

Girando, abaixando, saltando, brandindo sua espada e cortando quantas cabeças ela conseguia, Emery impediu que os soldados a ferissem. Sabia que o mago dos Fantasmas do Sereno que estava por trás daqueles soldados havia sido contratado por Kimmo.

A primeira onda de inimigos estava toda no chão e ela, quase sem nenhum arranhão. Todavia, mais soldados surgiram de ambos os lados da rua. Não apenas rasos, mas soldados convencionais, armados com metralhadoras e outras armas que, com certeza, eram enfeitiçadas.

Os tiros chegaram antes dos rasos. A sincronia estava perfeita, já que eles não acertaram seus companheiros controlados. Emery girou a espada com extrema velocidade em volta do corpo, ao mesmo tempo em que ela própria fazia movimentos aleatórios. Qualquer um que a visse em um contexto diferente pensaria que estava dançando.

A confusão realmente piorou quando os rasos a atingiram. Eram dezenas atacando ao mesmo tempo, tentando mordê-la, rasgar seus membros e devorá-los como se fossem carne em um churrasco. A primeira foi profunda e pegou-a totalmente desprevenida. Uma das cabeças que estava no chão ficou próxima o bastante para abocanhar seu calcanhar. Ela se livrou da cabeça.

Este foi um pequeno momento de abertura que permitiu que um dos rasos pulasse em seu pescoço e cravasse os dentes nela. Emery agarrou com a mão livre e o descolou de sua pele. Sentiu o sangue escorrendo, não era tanto quanto seria caso ele tivesse pego uma veia principal. Cortou lhe a cabeça e voltou a movimentar-se, matando o máximo de soldados que conseguia.

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