Capítulo 07: O Calor do Egito (Series Finale)

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Egito, Terra

Avary acordou devagar, como uma pessoa que saí aos poucos de um coma. Aos poucos, percebeu que estava de joelhos; sentiu algo gelado em volta dos pulsos – correntes, cuja outra ponta estava presa à parede. A mesma sensação veio do pescoço e percebeu que também estava presa por ali, mas que coleira não estava apertada o bastante para sufocá-la. A sua volta estava a caverna onde havia a ponte para o Duat que Anúbis tinha criado quando escapou.

Ela não estava sozinha. Apófis estava sentado em uma cadeira que não estava ali durante a primeira visita dela – provavelmente o deus havia trazido. Um homem estava de pé sobre a mesa, analisava o portal, que não mais estava invisível; notou que havia pelo menos cinco demônios fazendo a segurança. Eles deveriam ser os últimos que sobraram de todo o exército que Apófis tinha trazido.

– Finalmente você despertou, velha amiga! – Apófis falou ao perceber a garota; ele se levantou e foi até ela. – Nós estávamos justamente falando de você. A sua visita a Pedra de Roseta me poupou muito trabalho, eu apenas não entendi por que você não abriu o portal de vez para que os deuses pudessem vir e reconstruir a glória do Egito. Ou, pelo menos, mais alguns aliados para ajudar a me enfrentar.

– Eu não preciso de aliados para lutar com você, Apófis. – Bast, que estava tão furiosa, retrucou usando a boca de Avary.

– Bem, você vai precisar depois que eu trouxer minha sombra para esse mundo. – Apófis mantinha um sorriso vitorioso como o de uma cobra que acaba de encurralar a presa; a deusa precisava dar um soco nele. – Sabe, Bast, é muito complicado abrir um portal para o Duat, sabia? É mais fácil abrir um portal para todos os outros mundos, até para o Paraíso, mas para o Duat? Praticamente impossível. – Bast estranhou; não sabia que existiam outros mundos; para ela, era apenas o Duat e a Terra; achava que até mesmo os anjos viviam na Terra. – Todavia, depois de muito pesquisar e teorizar, eu e meu amigo aqui chegamos à conclusão de que, com o feitiço que você tirou da pedra, nós podemos usar seu Ba para manter a rachadura aberta, pelo menos o bastante para que minha sombra venha a esse mundo.

– Chegou o momento, senhor. – O homem sobre a mesa falou. – Está na hora de conjurar o feitiço.

– Ótimo!

Apófis conjurou uma pequena chama em sua mão. Então, queimou na testa de Avary – que gritou desesperadamente de dor – um hieróglifo que significa "separação". A garota sentiu muita dor quando o de Bast começou a sair por seus poros em uma espécie de fumaça alaranjada; sentiu uma queimação no nariz, nos olhos e nos ouvidos, pois também saía o por esses lugares. Minutos torturantes passaram até que uma pequena bola laranja e brilhante estava flutuando a alguns centímetros da mão de Apófis – Avary notou que o mesmo símbolo que havia surgido no topo de sua mão quando visitaram a Pedra de Roseta estava naquela pequena bola laranja; e que os símbolos de hekat e nekhakha não estavam.

Com um movimento da mão livre, Apófis quebrou o pescoço do mago que estava sobre a mesa. O deus subiu nela, dizendo centenas de palavras em árabe antigo – que agora Avary não entendia uma palavra – e estava prestes a colocar a alma de Bast no portal, para reabri-lo totalmente, quando as correntes que prendiam a garota foram partidas e, do nada, surgiu um homem encapuzado, trajando as mesmas roupas longas que o Artista e a Bruxa.

O recém-chegado engajou uma batalha contra o deus do caos, o que salvou a deusa no último minuto. Uma mulher magra e pequena, que também estava encapuzada, estava ao lado de Avary; fora ela que libertara a menina. A primeira coisa que Avary fez ao conquistar a liberdade foi olhar seus antebraços: estava ali as tatuagens que tinha conseguido no lugar em que a Ordem dos Cavaleiros da Rosa Cruz guardavam seus objetos mágicos. Ela tinha as armas; podia ajudar Bast.

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