Capítulo 06: Death of Faithful

26 1 0
                                              

1352

– Dê-me a garota. – Ele disse; sua voz era estranhamente musical, como se ele cantasse como um bardo. – E você poderá continuar com suas missões, Padre. – Ele fez com que essa última palavra soasse como uma maldição.

A magia cristânica praticada por todos os Mestres da Casa de Eli não era uma magia de combate, como era a Arte de Willard. Meus feitiços serviam para anular ou contrariar outras magias usando ingredientes e itens abençoados ou santificados pela Igreja. Já a Arte Demoníaca usava, em sua maioria, apenas a energia dos Artistas para conjurar seus feitiços.

Isso não significava, porém, que eu estava indefeso diante de Willard. Um Mestre sempre tinha algum feitiço previamente preparado que me protegeria de tudo que ele pudesse mandar contra mim, exceto o Fogo Negro; tais chamas queimariam seu caminho até minha carne e ossos. Eu não conhecia nenhum método para combater as labaredas dos Van Helsing.

Juntei minhas mãos e recitei o poema Mare aperuit Moses escrito por Eric Starcher, um dos primeiros Mestres da Casa de Eli.

– Rezar não vai te ajudar, Padre. – Willard zombou, vindo na minha direção.

Uma rachadura surgiu no chão. Ela abriu-se de repente, crescendo em segundos, criando um abismo entre o Van Helsing e eu. Quando Willard notou o que estava acontecendo, tentou me atacar, saltando. O buraco aumentou até uma distância que seria impossível pular de maneira natural, forçando Willard a usar um feitiço. Entretanto, uma flecha passou zunindo na minha visão periférica, atingindo-o no ombro, interrompendo seu salto. Mais duas setas acertaram Willard, que caiu no precipício artificial que eu havia criado.

Cessei meu feitiço e olhei para trás, descobrindo Octave Brousseau, Capitão da Garde Royale, armado de um arco longo – que tinha mais da metade de sua altura e era muito usado por cavaleiros quando estavam em seus cavalos – e uma aljava presa a cintura. Ele armou mais uma flecha, por garantia, mas o Van Helsing havia sumido de vista.

– Isso não irá matá-lo. – Informei Octave, que perguntou, incrédulo como era possível; eu simplesmente respondi: – Ele é um Artista e um Van Helsing. É preciso muito mais do que três flechas e um precipício para dar um fim a ele.

Cansado, fui forçado a fechar o buraco. Era estritamente proibido que um Mestre da Casa de Eli alterasse a criação como ela era, afinal, nossa função é consertar as alterações e aberrações feitas pelo sobrenatural no mundo. Eu sabia que ficaria um tempo sem conjurar qualquer coisa, até que estivesse descansado. Pedi ao Senhor que nos protegesse de inimigos no caminho que estávamos prestes a tomar.

– Temos que ir para o Vaticano. – Eu disse para Octave, enquanto retornávamos para Anannya e seus filhos, que haviam se escondido de volta na vila em que moraram durante aqueles anos. – Lá, ela estará segura. E o que preciso fazer tem que ser autorizado diretamente pelo Papa.

Usando o barco que Willard usou para nos enganar, partimos pelo Mar do Norte até a França, onde os aliados e antigos subordinados de Octave nos receberam com abraços e bebidas quentes. Escoltados por eles – e com uma carta de autorização do Rei Jean – atravessamos o país até chegarmos ao Vaticano. Qualquer problema que encontramos foram solucionados pela carta ou pelo meu status de padre. No pior dos casos, quando cruzamos com saqueadores, minha magia ou os soldados de Octave resolveram. Ao final do ano, na véspera do Dies Natalis Solis Invicti, eu estava diante do Papa Innocenzo VI.

 Ao final do ano, na véspera do Dies Natalis Solis Invicti, eu estava diante do Papa Innocenzo VI

Ops! Esta imagem não segue as nossas directrizes de conteúdo. Para continuares a publicar, por favor, remova-a ou carrega uma imagem diferente.
Histórias Curtas do Sétimo UniversoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora