Capítulo 02: Fantasmas do Sereno

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Ottawa, Canadá

1995

A casa era pequena. Apenas um andar, o que era um tanto incomum para a região. Achava que policiais tinham um salário melhor. Tocou a campainha. Não ouviu movimento do lado de dentro, mesmo com sua audição aguçada. Bateu na porta, chamando pelo nome daquele que vinha buscar, mas ninguém respondeu por longos e entediantes minutos. Tentou a maçaneta. Estava trancada.

– Ele está trabalhando. – Uma voz rouca disse atrás dela, em inglês. – Ele tem trabalhado todos os dias desde que a mulher foi embora.

Emery virou-se. Uma senhorinha de noventa anos vestindo tanta roupa que parecia estar no meio de um inverno de cinquenta graus negativos. De fato, estava. Estavam no meio do inverno. Emery aproximou-se da mulher.

– Sabe me dizer em qual unidade ele trabalha? – Perguntou na mesma língua, tentando soar o mais simpática possível; não sabia se daria certo, considerando que tinha uma espada presa na cintura.

E a senhora deu o endereço completo do lugar, incluindo C.E.P. Emery sorriu, um pouco surpresa, mas lembrou-se que o casaco pesado que usava escondia sua lâmina. Não agradeceu, apenas deu às costas e andou em direção ao local indicado. Caminhou por pouco mais de duas quadras, quando viu um táxi deixando uma passageira em frente à casa. Entrou no banco de trás em seguida.

Passou o endereço ao motorista, enquanto se ajeitava no acento. Era um tanto desconfortável viajar em carros com uma espada; por isso, sempre preferiu os cavalos. Nos animais, nunca precisou se preocupar com isso.

A delegacia surgiu diante dela. Optou por pagar o taxista, para não chamar atenção desnecessária para si. Entrou no local.

Um oficial estava sentado em uma mesa, logo à frente de uma parede com o logotipo da polícia com um metro de diâmetro pintado na parede. Ele estava distraído, lendo alguns cadernos de registro de ocorrências. Não tinha mais do que vinte e dois anos, portanto, era recém-saído da academia de polícia. Ela se aproximou, com um sorriso estampado e atrevido; conhecia sua beleza e sabia o que ela fazia com humanos. Ainda mais um tão novo quanto aquele.

Perguntou pelo detetive. Teria brincado com a gola de seu uniforme se ele não estivesse tão longe. Gaguejando, ele pegou o telefone e colocou em seu ouvido, mas não antes de se atrapalhar todo com o fio em espiral.

– Não acho que peguei seu nome. – O rapaz conseguiu dizer. – O detetive quer saber.

– Davina. – Ele fez uma careta. – É escocês. – Como se isso explicasse tudo.

– Ele pediu para você subir. Terceiro andar, sala trinta e três.

Emery sorriu uma última vez antes de deixá-lo babando.

O detetive poderia vê-la pelo vidro da janela, mas estava ocupado demais fingindo concentrar-se em seu trabalho. Entrou sem bater, fechou a porta atrás de si e a trancou; em seguida, fechou uma persiana do vidro da porta, para terem um pouco mais de privacidade.

– Você não é Davina. – Marcus observou o óbvio; um detetive incrível, Emery pensou, espero que ele realmente possa me ajudar.

– De fato, não. Apenas usei o nome para poder vir aqui sem problemas. – Ela retrucou. – Preciso que me ajude a encontrar uma pessoa.

– Eu? – Ele estranhou. – Eu trabalho em narcóticos, e não desaparecimento.

– Meu mestre pensa que você é exatamente quem eu preciso. Eu não queria fazer isso, mas você não me deixa outra escolha.

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