Capítulo 10: Izu no Mori

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Tokyo, Japão

2011

Mikasa, abraçada com as pernas, fitava sua mãe. Ela estava deitava no chão, mais especificamente, em um colchonete mais fino que o pulso da menina. Sabia que ela não estava confortável, e não se importava. Estavam seguras e logo, logo sua mãe deixaria de ser uma yokai. Uma vez que estivesse livre de seu lado monstruoso, tinha certeza que Yagyuu seria uma pessoa melhor. Quem sabe até não as ajudaria a parar Nomura e suas loucuras.

Ela riu de si mesma. Sua risada era triste, de alguém que não tinha certeza do caminho que estava tomando. Yagyuu não fora uma boa mãe desde a morte de Ayuka, sendo yokai ou não. Mikasa sentiu-se boba e infantil.

O quarto em que estavam era pequeno, escuro e sinistro. Não gostava nem um pouco de estar ali. Havia apenas as duas – as pessoas que estavam ali anteriormente haviam sido expulsas para dar lugar as duas. Mikasa não conseguiu pregar os olhos, apesar da viagem e do cansaço; sua mãe ainda estava desmaiada.

No fundo, tudo que ela queria era que o acidente de oito anos antes não tivesse acontecido.

– Você me desonra. – Mikasa levantou os olhos para o rosto da mãe; não havia notado que tinha cochilado.

– Eu estou tentando te salvar. – Revidou, como não o faria se ela não estivesse tão fraca por conta de todos os apagões causados por Akira e o pouco alimento que ela ingeriu nos últimos dias.

– Desfazendo algo que trouxe felicidade? Que eu mesma escolhi contra minha vontade? – Mikasa via a lógica nas palavras dela e percebia como isso poderia trazer desonra para a família.

– Estou fazendo o que acredito que é o certo. – Mikasa disse. – Você é uma yokai, um monstro. Eu só quero trazer minha mãe de volta.

Yagyuu não respondeu, muito menos Mikasa encontrou mais palavras para continuar a falar. O silêncio tornou-se palpável depois da primeira hora.

A mente de Mikasa flutuou para o Reino dos Sonhos sem que ela percebesse. Não era um sono confortável, muito pelo contrário. Ela sonhou com o acidente, com sua mãe se transformando em monstro, com seu pai jogando suas amigas em um buraco para apaziguar um deus sem forma. Contudo, Mikasa se viu em uma praia.

Não se lembrava de estar ali antes, mas soube assim que viu a si mesma, porém com apenas quatro anos. Seu biquininho da Hello Kitty era superfofo; seu cabelinho ralo dava a impressão de que ela seria careca o resto da vida. Era uma memória tão antiga que era impossível que ela pudesse lembrar-se.

Seu pai estava saindo do mar, enquanto sua mãe com um barrigão de grávida, colocava um livro de lado para recebê-lo. Ele pegou a pequena Mikasa no colo; ela brincou com suas bochechas, em seguida, ele fez cócegas nela.

A Mikasa mais velha teve sua visão turvada por causa das lágrimas. Ela não sabia que eles tinham sido tão felizes como uma família. Mesmo suas memórias mais antigas eram apenas de um homem que enganava meninas virgens e uma mulher monstro.

– Oka-chan. – A mini-Mikasa disse, sorrindo. – Cookie.

– Não, não, Mika-chan. Estamos indo almoçar. – Yagyuu disse, sorrindo; Mikasa não imaginou como ela poderia aceitar a negação, afinal, estavam falando de cookies; ela nunca negava cookies.

Sorrindo e conversando algo que a Mikasa grande não conseguia ouvir. Seu sonho se dissolveu na escuridão do quarto em que estava assim que Akira e Sakura voltaram.

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Akira ofegava quando Lester Zobrist, sorrindo satisfeito com sua aquisição, curou os cortes que ela mesma havia feito para encher as vasilhas de sangue. Sakura a fitava com o olhar de preocupação. Sua amiga estava dando tudo de si naquela missão – chamara por ajuda quando ainda estavam na casa, lutou contra a joro-gumo várias vezes, quebrou a proteção que escondia a casa, ficou em coma e, agora, estava literalmente dando seu sangue para ajudar alguém que odiava.

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