Capítulo 06: A Última Batalha

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Helsinki, Finlândia

1995

Enquanto andava pelo caminho de pedra que a ligava à batalha final daquela missão que já durava tempo demais – pelo menos duas semanas –, Emery não conseguia deixar de pensar em Kaden; como a vida dos dois poderia ter sido diferente. Afastou os pensamentos imaginativos. A realidade era muito mais dura, quase tanto quanto a armadura que usava.

Armadura era um termo um tanto vago para descrever a roupas que usava. Era uma malha de aço enfeitiçada por seu mestre, de modo que fosse impenetrável por lâminas tradicionais, projéteis de armas de fogo e algumas enfeitiçadas. Também estava protegida, até certo nível, de feitiços de combate. Por cima dessa malha, placas de titânio nos braços, pernas e peito, que também eram cobertas de magia, principalmente para mantê-las leve. Era sua melhor peça de defesa em seu arsenal.

A mansão surgiu no final​ do caminho. Era uma casa gigantesca, capaz de habitar dezenas de pessoas de uma única vez. Ela não contou as janelas; não tinha tempo. Havia uma porta na direita e uma na esquerda, ambas de madeira e perfeitamente envernizada. Alguém esperava por ela, mas, ao contrário do que ela esperava, não era Kimmo.

Os olhos gatunos e farto bigode sobre os lábios finos eram familiares para Emery, mesmo que o tivesse conhecido por poucos minutos quando ainda estava em Ottawa, fugindo com Marcus Cleanwood. Athyer Redron estava exatamente igual, considerando que ele tinha sido atropelado por um ônibus. Ele havia se curado bem em poucos dias.

Ele não era uma ameaça. Apenas um obstáculo em seu caminho, de modo a enfraquecê-la. Todavia, a lâmina que ele carregava não era comum. O punho da lâmina era forjado no formato de uma cabeça de Rekside batā, um deus lendários para os moradores de Rak'ith. Rekside é o rei dos deuses, um ser mesclado de tiranossauro e humano; assim como a representação no punho, ele era amarronzado, puxando mais para o vermelho. A lâmina era de um metal brilhante, esbranquiçado, mas o lado não afiado parecia ter sido feito de escamas de cobra. De acordo com as lendas, aquela era a arma responsável por matar todo o panteão batā de Rak'ith mais de sete mil anos antes.

Eathcyn era tão lendária quanto, possuindo habilidades próprias, mas ainda assim, Rak'beara de Athyer poderia ser capaz de cortar Eathcyn ao meio. Sua melhor defesa era sua armadura enfeitiçada, mas ainda, precisaria evitar contato direto de todos os ataques de Athyer.

– Pela sua cara, imagino que reconheça minha amiga de longa data. – Ele fez uma pausa breve, apenas para olhar para sua espada; em seguida, voltou o olhar para a adversária. – Deve estar curiosa para saber como um Fantasma do Sereno possui uma arma tão poderosa e importante como essa. Foi em 1970...

– Você é do tipo falador, não? – Interrompeu; não sacou Eathcyn, para não cair na tentação de usá-la.

– Na verdade não. Na verdade, essa é outra história engraçada que...

Sua voz parou de repente, quando ele avançou contra Emery. Rak'beara veio por cima, enquanto Emery jogava-se para o lado. A espada cravou-se fundo no chão, praticamente cortando o solo até o punho. A assassina calculou rapidamente que não poderia, nem um pouco, permitir que fosse atingida por ela. Tinha que desarmar Athyer de alguma outra maneira.

Athyer voltou-se contra ela, brandindo sua espada com precisão, mirando apenas em pontos vitais. Ela desviou com habilidade, sentindo a distinta espada passando sobre sua cabeça, sob seus braços e pela lateral de seu corpo. Sentiu a ponta da lâmina roçando em sua armadura; num salto, afastou-se. Tocou o lugar do contato para descobrir que, por menos de um centímetro, ele não cortou sua pele. O adversário sorria, sabendo de sua vantagem.

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