Capítulo 09: Hahaoya o Iyasu

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Abashiri, Japão

2011

Mikasa e Sakura carregaram Yagyuu para dentro da casa da fazenda. Akira se recusou – salvar a vida da yokai já era favor o suficiente em troca de uma informação tão simples quanto a localização de Nomura, algo que as duas eventualmente poderia conseguir. Todavia, Sakura ficou com pena de Mikasa, que apenas temia pela vida de sua mãe.

Deitaram-na em um futon que estava em uma pequena sala com TV. Akira sentou ao lado dela e pediu para Mikasa trazer uma agulha esterilizada no fogo, linha, panos limpos e um balde com água. Ela pegou uma almofada e tirou a fronha; enrolou o pano colocou na boca de Yagyuu, de modo que ela pudesse morder quando a dor, de fato, começasse.

Quando Mikasa voltou à sala, Akira cuidadosamente limpou o ferimento. Seus movimentos eram firmes, de alguém tinha experiência naquele tipo de coisa. Sakura fez uma nota mental para perguntar mais tarde. Terminada a limpeza, ela fechou os olhos e, com as mãos fez o mesmo gesto de quando destruiu a proteção.

Erium, Zittu, Ki'am. – Ela repetiu várias vezes.

Sakura quase vomitou quando o projétil saiu pelo mesmo buraquinho pelo qual entrou. Mikasa pensou em se retirar, mas ficou ao lado da mãe. Sangue brotou do ferimento como uma fonte, mas parou logo que Akira disse as palavras mais uma vez. Em seguida, outra vez com as mãos firmes, ela costurou o ferimento. A todo momento, a yokai permaneceu em desacordada.

– Infelizmente, ela vai acordar em breve. – Akira diagnosticou, seu tom como o de um insulto que Sakura jugou desnecessário. – Agora, o seu fim da barganha: como encontramos Nomura?

– Ainda não. – Mikasa respondeu, o que pegou as duas de surpresa; Sakura, porém, permaneceu calma, enquanto Akira vociferou:

– O que? Não? Você viu o que eu posso fazer. Ou nos diz, ou começo a quebrar seus ossos. – Mikasa não respondeu, pois sabia que Sakura jamais permitiria uma barbaridade daquela.

– Por favor – Mikasa agarrou a mão de Akira num segundo e se ajoelhou, depositando sua testa no topo da mão da outra; Sakura viu a raiva se esvaindo de Akira enquanto as lágrimas de Mikasa começavam a rolar – ajudem minha mãe. Removam essa maldição dela. Eu imploro, por favor.

Sakura imediatamente ia falar sim – jamais negaria algo para alguém tão desesperada. Porém, Akira levantou uma das mãos para impedi-la de falar. Ela já não estava com tanta raiva; Sakura até mesmo ousaria dizer que ela estava com pena da outra.

– Por favor.

Sakura puxou Akira para um canto, o que forçou Mikasa a soltar sua mão e ficar observando sua mãe, fingindo que não tentava ouvir a conversa que se desenrolava. Sakura chantageou e implorou para que ajudassem a menina. A outra descordou, bateu o pé no chão, mas por fim concordou que deviam fazer algo sobre Mikasa. Não poderiam deixá-la com a mãe – mesmo que Yagyuu não fosse uma yokai. Discutiram por longos minutos, que pareceram eternos para Mikasa. Seu alívio foi óbvio em seu rosto.

– Nós ainda precisamos encontrar um feiticeiro. – Akira disse, insatisfeita.

– Você é uma. – Mikasa retrucou.

– Não sou. Minha magia é limitada a minhas habilidades com a mente. – Ela informou. – Eu não sou capaz de fazer feitiços como um mago.

– Conheço um, mas não sei como contatá-lo, ele simplesmente aparece quando precisa limpar a bagunça mágica que feiticeiros deixam para trás. – Sakura disse.

– Tem um homem em Tokyo – Mikasa praticamente sussurrou, como se estivesse com vergonha – que eu visitei uns anos atrás justamente para tentar curar a maldição. Ele era bem caro e eu não tive coragem de pedir dinheiro ao meu pai, afinal, ele é a favor da maldição. Mas ele também é fascinado por antiguidades e itens mágicos, por isso, busquei por algo que pudesse trocar por sua ajuda.

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