Capítulo 07: Prison of Light (Series Finale)

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Terra, 1452

Quando Sabrina terminou a leitura, ela olhou para Gadreel em sua mãe. A esfera que acabara de esfaquear e absorver naquele objeto era Hezron, uma alma humana feita de trevas puras. Não tinha certeza de como se sentia em relação à descoberta; havia matado, de certa forma, um humano. E estava prestes a entregar outro nas mãos dos anjos.

Focou em sua vingança. Focou no poder que o Sídero Theía dava a ela. Precisava dele para matar os Nagaras e vingar-se de Castiel. Para ficar com a lâmina Gadreel, tinha que entregar a garota de sua visão no lugar lindo. Não tinha escolha.

Levou quase até o final do dia para encontrar o feitiço que procurava.

Omgaan Käitlemine. – Disse, mais para si mesma do que de fato fazendo o feitiço; ela não podia errar a pronúncia, ou poderia acabar perdendo um membro ou indo parar no meio de Londres.

Encontrou o livro em um grimório escrito por Vell'pe Van Helsing, um dos ancestrais da família a quem pertencia aquele castelo e aqueles livros. Numa tradução livre, significava Manipulação de Espaço; um feitiço que unia dois pontos diferentes no espaço, tornando a distância entre eles zero metro. Com ele, Sabrina poderia chegar até Felity com apenas um passo.

Ela mentalizou o lugar sem nome, as montanhas, as árvores e o belo lago azul. Imaginou a pequena casa e, automaticamente, a bela moça com olhos cor de mel.

Omgaan Käitlemine. – Repetiu, mas dessa vez colocando intenção e energia em suas palavras.

Um círculo feito de faíscas, como se duas espadas estivessem e fogo e se chocando constante e rapidamente; Sabrina nunca tinha visto tal efeito em algum feitiço antes – não que ela tenha conjurado muitos em sua vida. No centro de círculo, uma visão exatamente igual a que tivera quando apunhalou Hezron. Num único passo, ela atravessou mais de metade do mundo, passando por mares, oceanos, desertos, florestas, planícies e planaltos.

Pega de surpresa, a menina de olhos cor-de-mel deu um salto, jogando todas as frutas e vegetais que haviam em sua cesta para o alto. Ela encarava Sabrina como se estivesse vendo um monstro – Sabrina se perguntou se ela já tinha visto algum naquela região.

A Nagara fez menção de pisar na água, porém a moça sinalizou negativamente com a cabeça. Não entendeu o gesto seguinte que ela fez – seu braço fez uma onda e sua mão abriu e fechou algumas vezes, como se imitasse a boca de um animal; qual, Sabrina já não saberia dizer.

Precisou procurar por uma maneira de cruzar o lago, o que a forçou a usar magia para derrubar uma árvore e transformá-la em barco. A obra final ficou cheia de defeitos, com espaço que quase não servia para ela; a madeira ficou rustica, sem lixamento ou um formato que pudesse ser descrito, porém serviu para atravessar as águas e chegar ao outro lado. Uma vem em seu destino, deixou o lago engolir sua terrível obra.

Hesitante, a moça saiu de sua casa – onde tinha entrado depois de recolher seus vegetais – e veio conversar com Sabrina, que tentou ser o menos ameaçadora possível. Com um sorriso e com as armas bem presas e escondidas às cotas, a Nagara apresentou-se, para o qual ela respondeu:

– Rachael. – Sabrina ouviu a insegurança no tom da moça, ao mesmo tempo, ficou surpresa que elas falavam a mesma língua. – O que está procurando?

– Você. – Precisei ser direta. – Na verdade, não eu, mas sim os anjos. – Nesta última palavra, Rachael tencionou. – Deduzo que já teve um encontro com eles.

– Sim, não deu muito certo. – Informou. – Se você está aqui, quer dizer que o feitiço para me esconder deu certo, ou eles estariam aqui pessoalmente, não?

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