Capítulo 07: Supekutoru

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Sapporo, Japão

2011

Quando Akira abriu os olhos no hospital três dias após o resgate em Tokorosan, Sakura não poderia estar mais aliviada. Ela não imaginava que o desmaio da amiga se estaria mais perto de um coma. Akira olhou para os dois lados e abriu um sorriso estou-bêbada-de-sono.

– Bom dia. – Sakura disse, um pouco tímida, apenas não sabia o porquê; não costumava sentir vergonha diante de pessoas sozinhas, mas quando se tratava de falar em público, ela simplesmente travava. Akira perguntou quanto tempo havia dormido, quando Sakura respondeu, a outra retrucou:

– Aquela proteção era mais forte do que eu esperava.

– O próximo passo – Sakura continuou, depois de conversarem algumas cortesias e sobre o que ela tinha perdido durante aqueles três dias – é encontrar Nomura. Eu pesquisei sobre ele na internet, mas não havia muita coisa que ia além de seu trabalho como diretor de jogos para videogame. Alguma ideia?

– Eu? – Akira estranhou, falando zombeteiramente. – Por que eu teria alguma ideia? Eu não tenho nenhuma vontade de ir atrás de um maníaco. – Sakura não encontrou palavras; não sabia o que pensar. Achava que Akira estaria pronta para uma aventura, encontrar um homem malvado e fazer justiça, como Za'an pulara em todas os combates contra os kages.

– Então, por que me ajudou? – Disse, lembrando-se de tudo que Akira havia feito para protegê-la na casa.

– Precisava de você. Sua mente, por alguma razão, serviu de ponte entre mim e minha amiga. – Havia uma frieza em sua voz, mas não era por Akira ser uma pessoa ruim ou gostar de solidão, era a frieza de alguém que já sofreu, que já teve sua confiança traída por outra pessoa. – Agora, você segue o seu caminho, que eu vou seguir o meu. Faz dois anos que não vejo o mundo ou o que acontece no Japão ou no Brasil. Isso pra mim é mais importante do que uma aventura para encontrar Nomura. Talvez, eventualmente, eu vá atrás dele para me vingar de tudo que ele tirou de mim, mas antes preciso saber o que é isso.

Sakura entendia o que ela queria dizer, e era provável que sentiria o mesmo na situação dela. Ao mesmo tempo, porém, eram pessoas completamente diferentes. Sakura sempre achou que estava destinada a algo mais do que desenhar casas para pessoas ricas pagarem. E quando as oito sombras surgiram, ela sabia imediatamente que faria parte daquela história. Seu destino finalmente a havia alcançado.

Sakura também sentia que era seu destino encontrar Nomura e a Joro-Gumo; trazê-los à justiça, mesmo ela não tendo certeza se existia justiça para uma yokai como Yagyuu. Também havia Mikasa e os mistérios que a envolviam – seria ela também uma joro-gumo? Será que o monstro que Sakura matara no sótão da casa era seu irmão? – Simplesmente sabia que ela era a pessoa destinada a resolver aqueles mistérios, com ou sem a ajuda de Akira.

Uma batida na porta interrompeu-as. Um detetive de longos olhos azuis e cabelos dourados cortados bem curtos entrou. Ele tinha um sorriso de dentes brancos imaculados e um bigode que não combinava com o resto, mas ao mesmo tempo lhe dava um charme dos anos oitenta. Antes que ele mostrasse o distintivo, Sakura percebeu que ele era policial; mas só depois de ele mostrar, descobriu se tratar de um agente da Interpol. Ele se apresentou como Marcus Cleanwood.

– O pai da Quinn – Akira reconheceu.

– Eu mesmo. – Retrucou em tom brincalhão. – Eu realmente não acreditei quando Quinn me contou sobre a casa e sobre você, mas como ela me deu insights incríveis sobre outros casos, resolvi mexer uns pauzinhos para chegar até aqui. Ela acertou na mosca.

Por seu tom e pelas escolhas de palavras, Sakura teve a sensação de que ele não sabia da "coisa com mentes" que Akira e Quinn – esta última, suspostamente – tinham.

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