Capítulo 01: Nova Missão

63 6 0

Florianópolis, 1995

O calor do verão de dezembro incomodava Emery de uma maneira que ela não conseguia descrever. Estava acostumada ao frio, já que nos últimos anos a maioria de suas missões envolviam lugares repletos de neve. Se não tivesse perdido sua magia... Imediatamente desviou sua linha de pensamento. Emery não tinha sua magia há muitos e muitos anos; já devia ter superado há muito tempo. Porém, magia fora parte de sua alma, agora, o máximo que conseguia era depender de seu mestre.

Do topo do prédio, ela observava o homem.

Seu alvo.

Kimmo Lahtinen era um empresário finlandês que havia se mudado para o Brasil há mais de trinta anos atrás, trazendo a empresa de seu pai ao país. Com seus cinquenta e cinco anos, apenas os cabelos grisalhos indicavam sua verdadeira idade. O terno azul marinho e a gravata preta combinavam perfeitamente com os músculos definidos e as costas largas. Emery admitiu que ele era muito atraente para um humano.

O hotel de luxo que ficava do outro lado da rua era muito visitado por empresários do mundo inteiro, mas principalmente aqueles que vinham de São Paulo. Emery o seguia desde que partiu da capital paulista, onde sua esposa ficara, para aquela suposta viagem de negócios. Pela janela, o viu saindo do quarto; a partir dali, não teve mais visão dele, até que saiu pela porta da frente e entrou em um táxi que o aguardava.

Emery saltou do prédio. Durante a queda, ela subiu a manga da blusa de linho que usava, sacou Eathcyn, sua espada. Cortou um hieróglifo que havia ali, seu sangue escorreu formando o desenho. Ao atingir o chão, nenhum dos mortais em volta dela foi capaz de vê-la. Emery não se enganava, pois sabia que aquela não era sua magia; sua magia não usava hieróglifos. Assim como todas as marcas como aquela em seu corpo, a magia dos hieróglifos vinha de seu mestre, aquele que a tinha salvado, quando todas de sua espécie a abandonaram.

Correu atrás do carro, mantendo-o em vista o tempo todo. Graças ao trânsito carregado, faróis e curvas que fazia, e, é claro, a própria velocidade natural de Emery, que era superior a dos humanos, ela foi capaz de acompanhá-lo sem problemas e sem ser vista. Apesar de quase ter trombado com alguns motoqueiros que trafegavam entre os carros.

Kimmo parou diante de um restaurante. A arquitetura do local imediatamente entregava se tratar de um Sushi Bar, e um bem caro. Julgou que muitos dos detalhes eram feitos de ouro. Ele desceu do táxi fechando um dos botões de seu terno. Invisível, Emery o acompanhou. Ela teve centenas de oportunidades para terminar o serviço ali, mas o mestre dissera que tinha que ser discreto. O movimento errado, eles poderiam descobrir seu envolvimento.

E não era o momento de ter a Ordem dos Cavaleiros da Rosa Cruz como inimigos.

Kimmo deu seu nome para o anfitrião e apontou para uma mesa que estava junto à janela. Ela gelou. Um homem esperava por ele, e Emery não o reconheceu. O problema é que havia apenas uma pessoa da Ordem quem ela não reconhecia: Pendragon. O líder supremo da Rosa Cruz. Emery deixou o prédio imediatamente e voltou para sua posição original de frente ao hotel. Não era a melhor das ideias cruzar seu caminho com aquele homem.

Tudo que pôde fazer nas cinco horas que esperou pelo retorno de Kimmo foi torcer para que ele voltasse ao hotel. Quando o sol estava se pondo, ele retornou; estava com o terno jogado sobre o ombro, como se sua conversa com Pendragon o tivesse esgotado. Subiu para seu quarto, surgindo na janela. Entrou no banheiro e saiu apenas uma hora depois.

Apenas usando suas boxers, ele pegou o telefone do hotel e discou. Emery não precisou de magia para ler seus lábios e descobrir que ele estava pedindo uma acompanhante de luxo. Ela sorriu. Era sua chance de aproximar-se de Kimmo e, ainda, sem chamar atenção para ela ou seu mestre.

Histórias Curtas do Sétimo UniversoRead this story for FREE!