Capítulo 03: Campo de Fogo

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Mesmo com a interferência de Ahsoka, Taavi não aceitou de maneira nenhuma que o plano fosse trabalhado na morada secreta dos Heartless, o que não fez a menor diferença para Desmond. Por isso, haviam se reunido na casa de Ally, mais especificamente, em sua sala de jantar. Desmond jogou todas as cordas sobre as mesas, tudo que poderia dar errado no plano, como o inimigo poderia se defender ou contra-atacar.

Taavi fez alguns comentários sobre os poderes de seus Heartless e suas limitações. No entanto, ele também afirmou que, quando juntos, eles eram capazes de coisas incríveis. Durante a Batalha de Roma, foram eles quem seguraram a destruição do muro. Taavi disse que os Ryaks dos Filhos do Abismo tinham um nível de controle quase tão alto quando os Heartless, porém eram mais duros.

Ahsoka informou que poderia manter uma linha de conexão entre todos os soldados que lutariam no plano de Desmond, para garantir que as ordens chegassem claramente, no entanto, ela precisaria de um objeto que estava em uma base militar em Jacksonville, porém, na Terra.

– Não temos como voltar para Terra. – Taavi contestou o plano de Ahsoka. – Mesmo que tivéssemos, uma alma morta não pode habitar no Reino dos Vivos por muito tempo.

– Não naturalmente, ela confirmou, mas há feitiços poderosos e sombrios que mantém almas em todos os lugares possíveis. Tem até um lugar em Khali em que um deus mantém diversas almas presas e conectadas a ele. – Ahsoka falava como se todos estivessem entendo o significado dessas palavras; Desmond entendeu o conceito, mas não se lembrava de nenhum deus capaz de fazer isso. – Mas não precisamos ir, é claro, vou pedir para um anjo.

– Eles não ficaram muitos felizes na possibilidade de me ajudar, por que acha que um deles irá?

Ahsoka apenas piscou: – Vejo vocês depois. Quando eu tiver a esfera, eu aviso. – Taavi saiu logo em seguida, dizendo que prepararia seus homens para o combate. Desmond e Ally ficaram sozinhos em silêncio por longos minutos até que finalmente o rapaz resolveu falar:

– Se quiser, posso ir embora.

– Não precisa. – Ela retrucou, indo para cozinha; Desmond não foi atrás dela. Ele deitou no sofá da sala de estar ao lado.

Deixou seus pensamentos partirem para lugares que não queria, que não visitava desde que recuperara sua memória. Pensou em todos os casos que havia resolvido como detetive particular, cada vítima que encontrou e as poucas que salvou, pensou em seu último caso, o de Caleb Galswyck, um homem que se provou ainda mais inteligente que Desmond. Enfim, pensou em seu acordo com a Morte, tentando imaginar se o que fazia naquele momento não estava indo contra; se estivesse, imaginou que a Morte estaria ali para recolocá-lo no caminho certo. Antes que percebesse, pegou no sono.

Despertou com o tremor da cidade e dos muros. Olhou em volta um pouco desesperado, como se houvesse esquecido por um segundo onde estava. Ally entrou na sala com um olhar desesperado em seu rosto. Olhou pela janela mais próxima, vendo milhares de anjos voando para o norte, em direção ao muro de Vernon. O ataque estava começando, mas nem sinal de Ahsoka com a suposta comunicação dela.

Desmond pegou em sua moto o rifle CBC 7022, calibre .22, que Ahsoka tinha lhe dado enquanto voltavam da Ilha da Liberdade. Ele encaixou o pente e engatilhou; não gostava muito de armas automáticas – também não tinha treinamento para elas, como tinha para pistolas e semiautomáticas, que era o caso do rifle. Ele não era muito apegado a objetos, mas resolveu dar o nome de Kitty para aquele rifle, em homenagem a arma que seu pai havia lhe dado quando era pequeno e o ensinara a caçar nos morros e floretas escocesas.

Randy Chepken sempre foi um homem simples. Sendo um fazendeiro inglês, porém vivendo na Escócia, onde as terras eram mais baratas – pelo menos, o eram na época em que comprou – ele ensinou a Desmond muito sobre trabalho duro e conquistas. Entretanto, uma das lições mais importantes veio quando o rapaz estava com seus dezoito anos, aguardando a resposta de Harvard.

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