Capítulo 11: Nomura

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Kyoto

2011

Quando Sakura recebeu o abraço de sua mãe, sentiu-a fria e distante, diferente da última vez em que se viram, quando ainda estava em Sapporo. Tinha a sensação que sua mãe não tinha gostado de ter sido mandada de volta para casa depois de ficar vários dias sem saber onde estava sua filha. Até mesmo o abraço de seu irmão foi mais caloroso.

Ainda era cedo, mas Akira quis ir até a Tadasu no Mori para relembrar os detalhes do terreno e se prepararem para enfrentar toda a Ordem da Rosa Cruz e matar Nomura, para garantir que ninguém mais sofresse em suas mãos. Sakura não gostou dessa ideia, mas não conseguia ver outra solução – sabia que a influência da Ordem ia muito além do que elas pudessem imaginar. Prisão e o sistema não eram uma solução.

Os quatro sentaram-se em volta da mesa para uma refeição silenciosa. Akira estava um tanto embaraçada, sua mãe estava magoada e irritada, e seu irmão não se importava o suficiente para iniciar uma conversa. Sakura simplesmente não encontrava palavras.

Akira levantou os olhos de sua comida de repente. Seus olhos tão arregalados que pareciam pertencer a uma mulher ocidental. Sakura soube imediatamente: ela havia detectado a mente de alguém.

– Escondam-se. – Sakura disse, sacando a arma que estava, desde que chegou, a suas costas; sua mãe sabia, mas não se importava; estava acostumada.

Akira se levantou e foi até a entrada, parando logo atrás da porta. Sakura não sabia se ela escutava ou sentia a aproximação, independente, ela levou sua família para seu quarto, onde havia uma janela pela qual poderiam fugir, mesmo com certa dificuldade para escalar a casa pelo lado de fora.

As duas ficaram ali, se olhando por longos segundos. Sakura se perguntava se Akira não conseguia descobrir a identidade da pessoa que vinha até elas, porém não se lembrava de ela ter feito algo parecido. Se fosse capaz, teria descoberto que Mikasa era filha de Nomura e Yagyuu. Uma batida na porta pegou-as de surpresa; Sakura manteve sua mira pronta, para o caso de ser algum truque. Esperaram mais alguns segundos.

– Senhorita Sakura Kazan? – Uma voz masculina completamente desconhecida disse em japonês, porém com um sotaque americano pesado. – Sou o agente Corey Bulkley, da Interpol. Marcus me mandou.

Akira abriu uma brecha mínima na porta e disse: – Passe a identidade.

Ele o fez. Sakura não saberia dizer se era falso ou não, mas pensando que se fosse um inimigo ele já estaria atirando, resolveram abrir. Sua mãe e irmão apareceram depois de Sakura os chamar. O agente, com seu rosto redondo e olhos azuis, não parecia estar mentindo.

– Temos que partir imediatamente. – Informou, um tanto preocupado.

Guiou a família e Akira para fora da casa, direto para um SUV preto que estava estacionando à frente. Ele era tão largo, que tomava quase a rua inteira; nem mesmo uma moto poderia passar entre o carro e a calçada. Assim que Corey fechou a porta, eles ouviram o tiro. No mesmo segundo, ele caiu no chão, sangrando e sem vida.

Ao olhar para trás, Sakura viu o Espectro caminhando na direção deles. Não parecia estar com pressa. Akira usou suas habilidades para trancar as portas; saltou para o banco da frente e, por sorte, a chave estava na ignição. Ligou e acelerou, deixando o Toyota Aqua e a casa de Sakura para trás. O Espectro montou em uma moto e acelerou atrás deles.

Precisavam encontrar um lugar seguro, mas Sakura não conseguia pensar em nenhum. Não poderiam ir para a delegacia – afinal, se o próprio delegado trabalhava para a Ordem, imagine os outros policiais. Quando viraram uma esquina que dava para a Nakagyo Ward, a avenida em que ficava o Palácio Imperial de Kyoto, Sakura lembrou-se de algo que a Bruxa – parceira do Demônio – havia dito meses antes.

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