Capítulo 05: Yeodeolb Kkoli

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Kagiej, Japão

1992

Quando Rei se pegou dentro da cela sem nem ao menos perceber o que tinha acontecido, ele soube que havia sido pego em um kiseki, uma miragem, como era chamada a habilidade de In'ei. Ele era capaz de enganar a mente das pessoas, criar miragens e ilusões, de modo que ele capturou centenas, se não milhares, de inimigos praticamente sem levantar um dedo. Era a razão que o permitiu ser não apenas o membro mais velho da Raimei, mais também o mais poderoso.

– Aquele maldito ciphari. – Min-ji disse, irada, mais falando consigo mesma do que com Rei.

Ciphar fora um continente que existiu a milhares de anos, quando ainda Atlantis era a potência mundial e Lemúria tinha os melhores feiticeiro do mundo antigo. Eles eram famosos por terem uma sociedade inteira baseada em poderes mentais, sendo alguns deles o kiseki de In'ei, que era descendente deste antigo povo – ainda existiam alguns espalhados pelo mundo causando os mais diversos tipos de problemas.

– Você parece saber muito sobre a Raimei, as leis e o próprio In'ei. Foram poucas as pessoas que conhecem o rosto, já que ele sempre usa máscara. – A paciência de Rei havia se perdido a bastante tempo. – Será que você pode elaborar um pouco mais?

– O dia que Takuji me trouxe aqui pela primeira vez, não foi porque eu era sua amante – ao ver que Rei estranhou, afinal, os textos eram bem claros sobre essa parte da história – nós éramos amantes, mas não foi por isso que ele me trouxe para Kagiej.

– Foi porque você estava em perigo, todos sabem disso.

– Não. – Min-ji sorriu, parecendo se divertir com a ignorância de Rei. – Ele me trouxe porque ele estava em perigo. Na época, porém, nenhum deles sabia do nome de Takuji Uemura. – Min-ji continuou:

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Havia falas estranhas nos corredores de Kagiej. A palavra insurreição parecia não sair da boca daqueles dentre aqueles que eram leais ao atual líder, Takuji Uemura, mas que não estava no poder nem há uma década. A lei da Raimei dizia que qualquer um pudesse desafiar o In'ei para tomar seu lugar, apesar de haver condições. O desafiante deveria saber o nome do In'ei – por isso era comum que nenhum shinobi soubesse o nome verdadeiro do outro – e deveria vencê-lo em combate hadaka, o que como próprio nome indica, no qual eles devem lutar até a morte nus.

Takuji dividiu comigo duas preocupações. Um terço dos ninjas o odiavam por ter matado o In'ei anterior, que estivera na posição por mais de trezentos anos, e outro terço deseja que outro ninja tomasse o poder; por isso, esse último terço ouvia as palavras de Matsuo e pouco a pouco estavam juntando-se a ele. Takuji sabia que era apenas uma questão de tempo até que Matsuo o desafiasse e, sem conquistar o terço que o odiava, ele não teria homens o bastante para combater quase houvesse uma guerra.

– Ele não pode te desafiar. – Eu ainda era nova naquela época, apenas dezoito anos, não conhecia o mundo, suas regras, suas esquinas sombrias, nem como sobreviver direito; meus poderes de Gumiho haviam acabado de despertar e eu não tive nem mesmo provado um fígado pela primeira vez. – Ele não sabe seu nome, nem eu mesmo sei, e nós compartilhamos a cama há quatro anos.

– Claro que ele sabe meu nome. – Retrucou. – Ele é meu irmão.

– Todos na Raimei são seus irmãos.

– Ele é meu irmão. De sangue. E nós dois somos descendentes dos cipharii. No entanto, ele é um Sakhi e eu Khidan. – No entanto, ele acrescentou depois de ver meu rosto confuso; ele me explicou a história do continente. – Ele é capaz de criar ilusões, miragens, na mente das pessoas; é isso o que significa ser um Sakhi. Ele estava treinando para poder desafiar Giichi, o In'ei antes de mim. Mas eu o fiz primeiro e o derrotei. Eu sou imune as habilidades dele, imune a todas as magias de fato, então ele não tem outra alternativa, senão me desafiar da maneira correta. Ele sente como se eu tivesse usurpado o título de In'ei dele.

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