Capítulo 01: Banhwan

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Coreia do Sul, Terra

1992

Hyo-Sonn Kim, Hyo para os amigos, caminhava pela rua como fazia todos os dias quando voltava da escola, mesmo depois do sol se pôr e a noite estar cheia. Ela não corria perigo, afinal, ela não era uma garota comum, mesmo que seu cabelo cumprido preso por um laço no topo da cabeça, a saia xadrez e a camisa social branca dissessem o contrário.

Hyo era a melhor de sua sala, assim como sua mãe antes dela, e sua avó antes de sua mãe. E todas as mulheres de sua família voltando gerações incontáveis. Algumas histórias até mesmo diziam que mulheres de sua família foram esposas de imperadores; outras diziam, que elas haviam sido adoradas como deusas, devido aos seus poderes mágicos.

Ela, porém, não acreditava em nada disso. Hyo nunca tinha visto sua avó usar magia, muito menos sua mãe, já que havia fugido do país pouco tempo depois de dar a luz. Entretanto, Hyo havia notado que dificilmente coisas ruins aconteciam com ela, mesmo que ela buscasse tais perigos – uma vez, ela montou na moto de um estrangeiro, achando que seria mandada para Europa como escrava ou algo do tipo, mas não, ele bateu com a moto, quase morreu, enquanto ela, no mesmo acidente, não tinha nem ao menos ralado o joelho.

Hyo não sabia explicar, mas sua sorte era incrivelmente grande. Às vezes ela até pensava que, se jogasse na loteria, ganharia muito dinheiro; mas sua avó jamais permitiria.

Ao chegar a sua casa, Hyo viu a avó sentada em um sofá assistindo programas de plateia na televisão. Hyo não entendia direito como ela gostava daqueles apresentadores iguais, jogando notas de dinheiro para uma plateia de desesperados por uma única nota. O interesse de Hyo estava nas doramas e mangás, a maioria japonês, mas ela lia um ou outro nacional.

Cumprimentou-a com um abraço e um beijo na bochecha. A idosa, com seus sessenta, quase setenta, anos perguntou como havia ido seu dia. Hyo narrou com um sorriso no rosto.

– Tive um teste de biologia hoje. Surpresa. – Informou, sentando no sofá, entrando debaixo da mesma coberta. – Tirei a nota máxima.

– Você sempre tira, como sua... – Ela se interrompeu, como sempre fazia quando estava prestes a falar da mãe de Hyo.

Byeol, sua mãe, crescera naquela mesma casa. Sempre tirou notas boas, até mesmo quando ela engravidou de Hyo quando tinha apenas dezessete anos – um pequeno deslize de alguém que, até então, tivera uma conduta exemplar. Quando Hyo nasceu, sua mãe juntou suas coisas e fugiu, deixando Hyo com a avó, para criá-la e alimentá-la. A doce Sook, com cinquenta e cinco anos, aceitou a bebê de braços abertos. Isto aconteceu há treze anos.

Byeol jamais entrou em contato depois disso, mas alguns rumores chegaram aos ouvidos das duas deixadas para trás. Ela estava no Japão, havia se casado com um homem dono de uma bicicletaria, e tinha outras duas filhas, cujos nomes Hyo não se importou de saber, ou de seu padrasto, por sinal. Apenas Sook era sua família, simples assim.

– Está com fome? – Sook disse, desligando a televisão, sabendo já de fato a resposta.

Enquanto a avó estava na cozinha, Hyo foi ao quarto para pegar algumas roupas e tomar seu banho do dia; finalmente era sexta, o que significava que ela poderia dormir até tarde no dia seguinte – mesmo que quando acordasse, tivesse que lavar seu uniforme escolar. Ela sempre fora fã de sextas-feiras, já que estas guardavam o dia de filmes estrangeiros na TV. Deixou a mochila ali, e com seus pijamas enfeitados com a silhueta da cabeça do Mickey Mouse.

Com uma toalha enrolada no cabelo e pijama vestido, Hyo parou no meio do corredor; ainda podia ouvir o cozinhar de sua avó na cozinha naquele mesmo andar. Pelo cheiro, Sook estava cozinhando seus famosos e impossivelmente delicioso Tteok-bokki que vendia em seu pequeno restaurante. Rapidamente Hyo se vestiu e desceu.

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