Capítulo 05: O Resgate da Vidente

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Desmond parou à porta da casa de Ally, sem saber muito o que fazer. O último encontro entre os dois não havia sido exatamente o melhor de todos – ainda mais considerando o beijo que ele havia roubado. Almas como eles, que tiveram uma vida inteira na Terra antes de morrer, não costumavam demonstrar afeto para com outras almas, um pouco diferente das almas de bebês ou crianças inocentes, que crescem ali.

Para estes últimos, era comum se juntarem em casais, casarem-se em igrejas – porque claramente o Paraíso não podia deixar de tê-las – e, até mesmo, adotarem outras almas de bebês e crianças como filho. Este era o único conceito de família no Paraíso, afinal, sem corpos eles não podiam ter filhos.

Portanto, a ação de beijá-la foi completamente surpresa para Ally, que simplesmente não tinha como esperar algo semelhante. Podia imaginar o que ela estaria pensando, e nenhuma das possibilidades o agradava. Ele sabia o quão bamba era corda sobre a qual andava. Quando levantou sua mão para bater na porta, ela se abriu com tudo; Desmond não havia reparado que ela o observou pela janela enquanto ele decidia entrar ou não.

Os intensos azuis dos olhos de Ally pareciam pegar fogo; a raiva era evidente e, pela primeira vez, Desmond sentiu medo dela. Ao mesmo tempo, o pijama – já era noite – com uma margarida gigante e dezenas de outas florezinhas espalhadas e as pantufas de coelho não eram exatamente intimidadoras. Ela deu um passo para o lado, deixando que ele entrasse. O ex-detetive respirou fundo e o fez.

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Ahsoka liderava o time. Quando Desmond havia contado o plano, ela havia se voluntariado para aquela posição, para garantir que os Heartless não a levassem direto para Taavi. Dois deles a acompanhavam, mas nenhum vestia armadura, de fato, até esmo ela vestia uma roupa completamente preta, com o rosto coberto por uma máscara de esqui, tudo para evitarem serem vistos pelo inimigo.

Levantou a mão com o punho fechado, indicando para que eles parassem. Estavam na esquina de uma casa suburbana à margem do acampamento dos Filhos do Abismo, que de fato, eram um bando de casas unidas por chapas de madeira ou ferro.

Entretanto, eles estavam se juntando em duplas ao mesmo tempo em que outros juntavam os materiais que eles possuíam – Ahsoka não conseguia imaginar o que eles poderiam querer com essas coisas, pois não precisavam de coisa material alguma para viver ou sobreviver. Quando uma quantidade estava pronta, um Pnamryak surgia, segurava um ponto em comum que esses objetos tinham – como uma corda que os amarravam – e desaparecia. O mesmo acontecia com as duplas.

Eles estavam se movendo, como Desmond havia dito que eles poderiam fazer depois da derrota no Portão de Vernon, apesar de que ele achou que a possibilidade seria baixa, considerando que o segundo muro criado pelos Heartless poderia ser derrubado pelos Kayryaks. Contudo, fazia sentido unir-se as forças que estavam em Long Island e atacar o muro com menos obstáculos.

Ahsoka fechou os olhos, tirando o colar que ela tinha no pescoço e abraçando o pingente com uma mão. Ele tinha o formato de um "S" deitado, com quatro perninhas saindo da parte de fora das curvas, duas em cada. O símbolo vinha de uma ancestral tribo nativo-norte-americana – apesar de ela ter visto o símbolo pela primeira vez em Lemúria, de onde a maioria dos xamãs e indígenas vieram, há incontáveis anos. Ele representava energia e, por isso, com a ajuda da Magia que existia no ar, ela descobriu que Almith ainda estava entre os Filhos do Abismo.

Ela virou-se para os dois Heartless de ar que a acompanhavam. O trabalho deles era criar uma distração no momento em que Ahsoka ordenasse, mas no momento, teriam eu ficar ali e não atacar os Filhos, ou a missão automaticamente falharia devido a memória coletiva.

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