Capítulo 04: O Fantasma Judeu

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Leicester, Inglaterra

1995

O prédio diante dela tinha uma estranha combinação de core. No centro dele, onde haviam as janelas, era marrom, da cor natural que tijolos adquirem com o passar do tempo e nenhuma lavagem. Contudo, a lateral mais alta e a fachada da loja eram de um tom vibrante de verde, o que a fez lembrar-se da Irlanda. Algumas pessoas entravam e saíam do prédio, afinal, era uma grande loja de roupa e as festas de fim de ano se aproximavam​ a toda velocidade.

Tem certeza que está aqui?, Emery perguntou em sua mente, sabendo que ele escutaria.

Sim. Carlos Wolfrid respondeu. Os feitiços indicaram que o mago que está procurando está aí dentro, agora, se ele está fazendo as compras de natal, aí já não sei.

Não se esqueça de que, o que te dei, eu posso tirar. Seu tom, apesar de ser apenas em pensamento, era assustador. Se eu não tivesse te dado o feitiço para controlar os cães infernais, você não moraria na mansão Van Helsing.

Por favor, Emery, já disse para não citar esse nome. Carlos retrucou, fingindo realmente se importar.

Ela entrou no prédio, disfarçando a espada com seus casacos de inverno. Quanto mais ao norte ia, mais o frio aumentava. Respirou, vendo o vapor gelado saindo de sua boca. Mesmo do lado de dentro, sentia um pouco do clima do lado de fora. Pessoas, todas muito bem vestidas com casacos e cachecóis, entravam e saíam das lojas com sacolas em mãos.

Emery se perguntou como os humanos poderiam ser tão cegos. Tanta coisa acontecia ao redor deles, como uma mulher caçando um mago, e tudo com o que se preocupavam era se o presente que estavam comprando iria agradar a pessoa para quem dariam. Pegou-se imaginando como ela seria se tivesse uma vida normal; se fosse humana. Ignorou esses pensamentos.

Seu mestre a puniria caso soubesse de tais pensamentos.

As instruções de Carlos chegavam à sua mente. Podia detectar que o inimigo estava no andar mais alto do prédio. Ela subiu alguns lances de escada. Encontrou um lugar quase vazio, com uma ou outra estante com produtos de verão. Uma ou outra pessoa com cara de turista estava ali. O andar parecia ser menor do que os anteriores, indicando que havia uma ala exclusiva para funcionários.

A única porta de ferro que separava as alas estava no fim do corredor. Foi até ela e colocou a mão na maçaneta. Antes que pudesse girá-la, sentiu uma mão agarrando-a. Uma mão gigantesca. Sentiu um dedão e um mindinho logo abaixo dos seus seios e dois dedos em cada ombro. Eram gigantescos, quase tão grossos quando seus dois punhos unidos.

Não teve o que fazer. Foi lançada para o lado oposto da porta. Se não tivesse sido dolorosamente amortecida pelas estantes e roupas, teria atravessado a parede na qual bateu. Algumas costelas quebraram-se apenas do aperto da mão, seu ombro direito, com o qual bateu, estava deslocado. Não precisava olhar para saber que, em algum momento, um parafuso havia perfurado sua coxa e outro em sua panturrilha; pelo menos, eram em pernas diferentes.

Alguns clientes gritaram e desciam desesperadamente a escada. Corriam por suas vidas. Emery levantou-se; ao mesmo tempo, girou os parafusos dolorosamente de suas pernas. Usou o sangue que saía para acionar seus hieróglifos de velocidade, força e cura. Afinal, seu adversário era grande.

Era um golem, mas diferente dos que encontrara em Londres, ele não era de madeira ou improvisado. Aquele era um extremamente pensado e preparado. Feito de pedra, ele tinha seis dedos em cada mão, como que para aumentar a área de impacto de seu punho. Não vestia coisa alguma, era apenas pedra presa em pedra. Emery notou que havia algumas palavras em hebraico escrito em sua testa. Estranhou.

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