Capítulo 09: O Feiticeiro da Taverna

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São Paulo, 2002

Por fora, o lugar parecia uma casa. Um daqueles modelos antigos da cidade, quando ainda não havia garagens a frente e a porta da sala dava direto para a rua. Havia dois vitrôs largos permitiam que o passante espiasse dentro do lugar; se o fizesse, veria as mesas em formato de barco vikings e que as bebidas sobre as mesas vinham no formato de frascos de poções.

Haddock achava impressionante como as pessoas se apegavam a pequenos reflexos de magia, como se ela não existisse. Assistiam filmes, séries e liam livros para viajar para mundos paralelos, de deuses e demônios, sendo que nem precisavam ir tão longe. De fato, ignoravam que aquele lugar tinha um mago real.

Ele entrou a tempo de ver o próprio mago fazendo uma apresentação para um grupo de amigos. Mostrava as "poções" fazendo um verdadeiro show. Contudo, assim que os olhos recariam sobre Haddock, ele franziu a sobrancelha. Assim como o menino podia reconhecer a magia nele, ele também reconhecia no menino. Após sua apresentação, sinalizou para que Haddock o seguisse até os fundos.

Caminharam por um corredor iluminado por tochas elétricas penduradas nas paredes. Haddock não imaginou por que aquele tipo de enfeite estava ali, afinal, não era permitido visitantes. Pararam diante de uma porta de ferro antiga, como se pertencesse a um calabouço de algum castelo da Europa.

Haddock estava ciente da história e origem daquele lugar. Sabia muito bem que era muito mais antigo do que aquele prédio supunha. Portanto, aquela porta de ferro sem dúvida era original e ancestral; talvez, um dia, tenha até mesmo fechado um calabouço de castelo.

Do outro lado, porém, havia uma espécie de laboratório cujo tamanho por dentro era muito maior que o exterior. Da porta de entrada até a mesa principal, um corredor era formado pelo final de prateleiras e estantes, sob as quais havia todo tipo de coisa, desde livros e papiros até potes com pedaços humanos conservados em formol; frascos com pós coloridos eram o que mais chamavam a atenção de Haddock, pois seus propósitos eram um mistério.

– O que quer? – Arloth disse, com um claro desdém pelo feiticeiro.

– Como sabe que quero algo?

– Todo feiticeiro que entra por esta porta está procurando por algo. O que quer?

– Estou procurando por Ahsoka. – O homem soltou uma gargalhada.

– Se eu soubesse como encontrar Ahsoka, eu mesmo iria atrás dela. Tem muita coisa que eu gostaria de aprender com ela.

Haddock levantou uma sobrancelha. Não tinha certeza se ele estava mentindo ou não, mas não parecia. No entanto, ele se perguntava por que Carlos disse que Arloth seria capaz de encontrá-la.

– O que sabe me dizer sobre puxar almas do céu?

– É impossível. – Havia uma certa tristeza em sua voz. – Almas mortas não podem viver entre os vivos, é uma das poucas leis que ainda não consegui quebrar.

– Não. – Haddock completou, percebendo o erro que ele tinha cometido. – Um deus transformou uma alma em estrela, e essa alma foi trazida de volta. Como é possível fazer isso?

– Não sei. – Arloth respondeu, com um sorriso; ele parecia ser um homem que costumava ter todas as respostas e dizer aquelas palavras pareciam ser uma verdadeira piada. – Os deuses gregos transformavam gente em estrela o tempo inteiro, talvez eles possam te ajudar.

– Atravessar os mundos não é simples. – Haddock retrucou. – Sem contar que eles não são exatamente cooperativos.

– Não. Nós mesmos estamos na Terra justamente por que não encontramos uma maneira de ir para Khali. Bem, talvez haja outro jeito. – O feiticeiro levantou-se de sua poltrona e andou pelas prateleiras, procurando por algo. – Essa pessoa, seja lá quem for, deve estar radiando energia cósmica. Se for o caso, talvez consigamos encontrá-la com o feitiço certo.

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