Capítulo 03: Tales of Bards

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À Vossa Alteza, o Príncipe Jean II da França,

Já faz três meses que o Rei Philippe VI o Afortunado desapareceu na tomada de Calais, um capítulo sombrio em nossa História que deverá ser esquecido, e pela primeira vez tenho uma pista de seu paradeiro. Como Vossa Alteza está ciente, vosso pai procurava os prazeres da carne entre as pernas de diversas prostitutas da França e de países vizinhos, porém, histórias de sua masculinidade chegaram até mesmo ao Reino de Escócia, onde me encontro no momento desta escrita.

Canções de navegadores, piratas e barqueiros falavam sobre uma lenda, uma dessas que lhes é sussurrada pelo oceano – ou pelos delírios causados pelo mar. Havia um deus dos mares, cujo nome era tão antigo, que nem mesmo Poseidon o sabia; este deus tinha controle sobre os sete mares e todos os oceano do mundo. Poucos o adoravam, por isso sua fúria era conhecida por engolir naus inteiras em um único golpe, entretanto sua vontade e ira eram invocadas em tempos de guerras.

Um dia, uma princesa oriental, de longos cabelos pretos, olhos escuros como a danação dos mortais, e a pele morena como se ela passasse seus dias sob o sol, veio para o Reino da França. Sua beleza era imensa, capaz de seduzir plebeus, duques, príncipes e reis sem distinção. Não havia mulher mais bela dentro das fronteiras de nosso amado país.

Todos aqueles que tinham dinheiro a presentearam com lindas pérolas, pedras preciosas, ouro, cavalos, vacas, touros, cachorros dos mais bonitos, gatos vindos de terras longínquas e sem pelos, além de sedas tão macias quanto os seios de uma mulher. Aqueles que tinham pouco vendiam o que tinham e compravam o que conseguiam para presenteá-la. Entretanto, nenhum desses itens a agradava; nada parecia satisfazê-la.

De seu castelo no oceano, o deus quis saber por que dos homens buscarem riquezas de terra e mar para agradar uma mulher mortal, mas não a ele. Eles a adoravam como uma deusa, e o deus soube o motivo assim que colocou os olhos nela. Ela era bela como uma deusa, ainda mais bela que a deusa com quem um dia ele se casou.

O deus reuniu tesouros do oceano desconhecidos dos homens e ofereceu para princesa. Aceitando o presente, a princesa apaixonou-se pelo adorno e pelo deus. Sem hesitar, ela foi embora com o deus pelo oceano, para nunca mais ser vista por homem algum.

Tal canção chamou minha atenção. Eu não a conhecia, mesmo viajando pelos sete mares durante muitos e muitos anos, então, procurei pelo bardo que há havia criado. Seu nome era Dominic Lancaster, um homenzinho irritante, magro e com o nariz maior do cabe em seu rosto; porém, seus olhos bicolores eram impossíveis de esquecer e de alguma forma continham mais histórias do que suas canções contavam.

Lancaster confessou que a história de sua canção não pertencia apenas ao reino da ficção, mas era baseado em algo que aconteceu de verdade. Perdoe-me, mas creio que minhas palavras tomaram um caminho confuso.

Não estou blasfemando contra o Senhor dos Senhores, nosso único Mestre Jesus Cristo. Não afirmo que existam outros deuses pagãos, mas na canção a figura do deus representa alguém de nascimento monarca, de grande poder e influência, um rei. Vosso pai, o Rei Philippe VI.

Porém, a princesa oriental não é uma princesa, mas sim uma plebeia que a Vossa Alteza conheceu antes de partir para a batalha Calais; como a música, ela detinha grande beleza.

O rei usou a guerra e aquela batalha específica para fugir com ela e deixar o trono – o que pode ser considerado traição, por isso, em favor da vida de vosso pai, aconselho que está carta seja destruída e tal fato jamais seja mencionado outra vez, mesmo que em fala entre companheiros de confiança.

De acordo com o bardo Lancaster, o deus e sua princesa oriental partiram pelo oceano para a terra de cabeças de fogo – ou pelo menos, era a continuidade da canção que escrevia. Ele afirma que o rei está na Escócia.

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