Capítulo 04: Balance of Worlds

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Dos Grimórios de Gillard Eileen, Mestre da Casa de Eli

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Eu cumpri incontáveis missões durante meus trinta e dois anos como um Mestre da Casa de Eli. Cacei e exorcizei demônios, matei vampiros, trabalhei lado a lado com Caçadores do Clã e com outras entidades da luz, inclusive magos e feiticeiros que buscam trazer o bem às pessoas do mundo. Entretanto, nunca tinha cruzado meu caminho com Willard Van Helsing, mesmo que tenha ouvido o sobrenome vezes incontáveis.

Os Livros de Eli escritos pelos mestres antes e contemporâneos a mim relaram encontros de dezenas de Van Helsings durante toda a História: Livius, Jalil, Ayrie, Cankev e Eddard são apenas alguns. Eles sempre eram descritos como feiticeiros, magos e Artistas excepcionais, com habilidades muito mais elevadas do que os próprios escritores.

Os Van Helsings sempre estavam envolvidos em grandes eventos com consequências catastróficas; fossem causadores ou aqueles que tentaram impedir. Um relato que datava da Era dos Dragões contava a história de Merkesh Van Helsing, o mais forte dos Van Helsing, fora um dos responsáveis pela queda do Império Romano. As lendas diziam que Malkior, o último dragão, participou da batalha que derrubou Ravena.

O castelo de Willard era um dos maiores de toda Romênia. Uma herança passada de geração em geração durante séculos, incontáveis histórias haviam acontecido ali. Eu conhecia poucas de registros feitos por diversos Mestres da Casa de Eli. Entretanto, notei algo diferente do descrito nos grimórios.

Todos os antigos mestres a irem àquele lugar haviam descrito o castelo com paredes negras, janelas altas de vitrais e três torres magnificas, cada uma sob uma constelação diferente; todos eles diziam que essas torres haviam sido criadas desta maneira para ampliar a magia de seus moradores. Entretanto, o castelo diante de mim detinha quatro torres.

Meu primeiro palpite é que ela havia sido construída nos últimos trinta anos, de quando datava a última visita de um mestre ali. No entanto, aquela torre tinha marcas tão antiga quanto as outras: musgos, dentições e coloração que viram muito mais do que trinta anos. Pude jurar haver marcas de flechas e lanças de alguma batalha longínqua no passado.

Fechei os olhos e recitei a Creator nobis revelat magicae, porém não obtive qualquer sinal de feitiço existente. Mudei a entonação e minha vontade, tentando descobrir se em algum momento do passado aquela torre estivesse camuflada com magia; foi exatamente o que descobri. Durante séculos, desde a fundação daquele castelo, aquela torre permanecia escondida por alguma razão.

Diante de mim estendia-se um portão de ferro com dezenas de palavras pequeninas desenhadas minuciosamente; era palavras em várias línguas, a maioria nem ao menos era usada. Também havia latim, o que me fez imaginar se algum padre ou bispo as tinha escrito ali – uma afronta às Leis e uma traição, mas eu sabia que nem todos nós éramos leais ao Senhor.

Porém, a parte mais proeminente era o escudo da família, que se partido ao meio quando o portão se abrir, em prata e bronze. No centro havia um livro, cuja página esquerda estava em chamas negras de bronze. Na página da direita estava escrito veras vertiotre, palavras na língua luciferiana que significam verdade absoluta. Um dragão abraçava o brasão, apenas suas patas, sua cabeça, uma parte do pescoço e a calda eram visíveis. Perguntei-me se aquele não era Malkior.

Assim que toquei no ferro do portão, minha mão queimou-se como se encostasse no fogo do próprio Inferno. Feitiços poderosos impediam-me de entrar, todavia, para combatê-lo, eu precisava descobrir quais as condições de modo que eu pudesse camuflá-la e permitir a minha entrada; exceto, é claro, que a condição fosse pertencer a família Van Helsing, o que seria impossível de imitar.

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