Capítulo 05: A Pedra de Roseta

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Oceano Atlântico, Terra

Avary não acordou no chão frio no meio de Washington como tinha imaginado – ou sonhado – que aconteceria, pelo contrário, estava em uma cama extremamente confortável em um quarto cujas paredes eram brancas, mas não como as de um hospital, estava mais para tom pérola. Ela notou uma pequena janela redonda em uma das paredes – na parede oposta à da porta. Abriu-a e soltou um grito de susto ao perceber que estava voando a vários quilômetros de altura.

Como ela tinha chegado a um avião era um completo mistério. Foi até a porta e, assim que colocou a mão na fechadura, Bast surgiu do seu lado, o que também a assustou. A deusa informou que ela tinha de tomar cuidado, pois poderiam estar sob os cuidados de qualquer um, até mesmo de Apófis – o que no caso, mudaria de "cuidados" para "prisioneiras".

Bast preparou-se para combater, assim como Avary. Ela abriu a porta e deu de cara com a outra parede do avião – e um singelo corredor entre ela e a parede. Estranharam; o corredor estava vazio para ambos os lados, o que era um bom sinal – assim como a porta estar aberta; se fossem prisioneiras, estariam trancadas.

– Olá? – Ela chamou.

– O que você está fazendo? – Bast censurou-a. – E se estão tentando nos enganar para nos matar depois?

– Avary? – Ouviu uma mulher chamando; reconheceu a voz sendo da Bruxa que a ajudara em Washington. – Então você finalmente acordou.

A garota deu um sorriso forçado e foi na direção da mulher. O avião chacoalhou de repente, passando por uma pequena turbulência. Avary quase teve um infarto, não era muito fã de aviões, ainda mais quando eles tremiam aleatoriamente.

A Bruxa guiou-a até um bar que havia no avião, onde o Artista misturava algumas bebidas. Ele sorriu enquanto servia-se.

– Onde estamos? – Avary perguntou, forçando sua mente a lembrar-se.

– Estamos no meio do Oceano Atlântico, indo para o Egito. – O Artista falou, depois do primeiro gole. – Nós conseguimos localizar o lugar de origem dos demônios, apesar de eles terem se espalhado por uma boa parte do mundo, nós conseguimos expulsar a maioria deles, como você fez com aqueles em Washington.

– Então vocês têm um feiticeiro Egípcio com vocês? – Avary estranhou, apesar da pergunta vir mais de Bast do que dela mesma; era difícil dizer quem fazia as perguntas quando se tem um deus dentro de você.

– Não. – Foi a Bruxa que retrucou; Avary achava muito confuso que eles alternavam suas respostas. – Mas existem várias formas de mandar criaturas de volta para seu mundo de origem.

– Mas não para trazer. – Avary/Bast falou. – Desde nossa punição há milhares de anos, nenhum deus foi capaz de trazer os demônios para cá. Contudo, depois de Anúbis veio para Terra...

– Espera... Achei que estávamos indo atrás de Apófis. – O Artista falou, depois de ter terminado sua bebida.

– E estamos. Mas ele não foi o primeiro deus que escapou esse ano. – A deusa retrucou. – Depois que ele veio através de uma magia poderosa o bastante para romper a cela de nossa prisão, uma ponte foi feita; uma pequena rota de fuga, mas que não é forte para a passagem de um segundo deus. Mas, com o feitiço certo, ela pode permitir a passagem dos demônios.

– Ou seja, temos que fechar três pontes, já que você e Apófis também cruzaram para nosso mundo. – A Bruxa concluiu.

– Na verdade, não. – A deusa estava ficando cansada de explicar os pormenores da conexão entre a Terra o Duat. – Imaginem uma cela de prisão. Nela há um homem, um gato e um rato. Então, em uma parede, um dos tijolos se solta. O rato consegue passar com folga. O gato, porém, com um puxão do lado de fora, também consegue sair. Já o homem, não importa o quanto ele consiga diminuir seu tamanho, jamais será pequeno o bastante para fugir por ali. – Avary achou muito interessante a analogia; nunca que conseguiria pensar nela sozinha.

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