Capítulo onze

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Milena🌸

Já tínhamos terminado de comer, e ambos estavam em silêncio olhando pro nada.

Mi: Você disse que queria me conhecer melhor, mas até agora não fez nenhuma pergunta, e as que eu te fiz, você estava muito ocupado no celular, então me deixou no vácuo.

Coringa: Foi malzão, Milena.

Mi: Quem é Beatriz?

Eu já tinha reparado nessa tatuagem que ele tinha no braço, mas não queria parecer tão intrometida.

Coringa: Minha filha..- Sorriu fraco.- colé, tá achando que eu sou otário pra tatuar nome de mulher no meu corpo?

Mi: Eu não disse isso, poderia ser o nome da sua mãe..- Dei de ombros.

Ele virou mais um pouco o lado do braço, e eu vi o nome "Maria" junto com uma coroa.

Coringa: Tu não fala com a tua mãe? Teu pai? Tem irmão?

Mi: Sou filha única, não tenho uma boa relação com a minha mãe, e meu pai morreu, quando eu tinha dezesseis anos.

Coringa: Qual é das idéia? Mãe é só uma pô, pra que isso?

Mi: Ela não é fácil de lidar, fica querendo me forçar a fazer as coisas. Por exemplo, casar com um homem que eu não sinto mais nada.

Coringa: Tu tinha um namorado, aí depois que ouviu minha voz, se apaixonou pelo bandido, saquei.

Mi: Admiro a sua auto estima...- Ele riu.- eu namorava a um ano, mas ele começou com uns papo de casamento, eu não queria, mas ele continuou insistindo. Foi até na frente da minha mãe, mas eu neguei.

Coringa: Eu já fui casado com a mãe da minha filha, não é parada fácil não. Nego acha que é só ir morar junto e pronto, só que vai muito além disso.

Mi: E faz muito tempo que vocês estão separados?

Coringa: Faz mó cota, ela tava grávida de seis meses da Beatriz. Foi só uma foda, aí deu nisso, eu era mais emocionado. Ai quis levar ela pra morar comigo, deu certo não, eu traia e fazias altas parada que eu nem gosto de falar.

Mi: Você mudou, ou continua como antes? Me avisa, porque qualquer coisa ainda da tempo de fugir.- Ele riu.

Coringa: Não vou falar que mudei, mas eu dei uma melhorada.

Mi: E você tem irmão, e pai?

Coringa: Menor pô, mais novo que eu. Aquele que tava com a tua amiga ontem, meu pai foi morto pelo morro rival.

Percebi que ele tava mais solto na conversa, então fui falando da minha vida, assim como ele falava da dele.

Quase uma hora depois, a barraca já ia fechar, então ele me levou pra casa.

Mi: Você não quer entrar?

Coringa: Não pô, tá suave.

Mi: Então é isso...- Murmurei, sem jeito.- ah, e obrigada pela noite, não fica se achando ok? Mas foi uma das melhores.

Coringa: Tá vendo que valeu a pena sair com o bandidão aqui? Hot dog, refrigerante, e um papo bom.

Mi: Faltou o sorvete.

Coringa: Na próxima, assim vai ter mais vezes pra eu sair contigo, fé. Boa noite ai, fica na paz.

Ele fez toque na minha mão, e depois fez belezinha. Imitei ele dando risada, e fechei a minha porta.

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