Capítulo sete

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Uma semana depois

Coringa🔥

Quando passou das meia noite, eu já tava acordado, só imaginando em como eu ia agarrar a minha filha, sem querer soltar.

Achei que a arrombada da Milena, fosse cair na minha. E não é que a desgraça não me atendeu mais?! Cuzona mermo.

Tava aqui, me arriscando pra carai. Como ela mermo disse, por uma pessoa que eu nem conhecia, nem sabia das intenções.

Papo de doido, só que mesmo sem conhecer, eu botei a confiança. A mina tem jeitinho de ser certinha, mas ela não passou as fita pra ninguém.

Fiz a minha oração rápida, e continuei na ativa. Na hora certa, dois cu azul vinha abrir a cela, tá ligado que o dinheiro compra a postura né.

Liguei rápido pro Pt, ele deixou avisado que tava tudo no esquema, e eu continuei ali, contando os segundos pra sair de dentro desse inferno.

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Milena🌸

Bruna: Bom dia! - Apareceu, toda descabelada.

Achei que eu acordava pior, mas vendo a Bruna, eu não achava mais isso.

Mi: Bom dia...- Desejei, pegando o pão de queijo.

Ela andou em volta do balcão, que tinha. Pegou um prato na pia, e depois voltou sentando junto comigo.

Bruna: Eu te contei que fiz amizade com um homem da rocinha?

Mi: Hm, nega do pó.- Ela riu, fazendo bico.

Bruna: E falando nisso, hoje vai ter uma comemoração, pela volta do dono de lá. Eu vou, e você vai comigo né?

Mi: Tá, mas quem me convidou?

Bruna: Eu nem fui convidada por gente maior de lá, só foi um vapor que eu peguei, que me chamou.

Mi: Quais as chances da gente sair viva de lá? Sei lá, eu sou insegura.

Bruna: Você é do morro inimigo? Não. É x9 da polícia? Não. Se acontecer alguma coisa, é porque Deus não te quer mais na terra.

Mi: Me convenceu...- Brinquei, rindo.- então eu vou.

Seria a minha primeira vez em uma favela, então eu tava com um pouco de medo. Não é todo dia que se vê homens armados de um lado pro outro, desfilando livrimente.

Lavei a coisas que tinha sujado, após o café da manhã. E a Bruna foi se arrumar.

Porteiro avisou que a minha mãe tava subindo, e eu já me preparei pra ouvir, e também dizer.

Bruna: Amiga, eu vou embora. Tua mãe não gosta de mim, já sequei e guardei a louça, beijos.

Mi: Então tá, beijos.

Ela pegou a bolsa, e foi saindo. Com certeza as duas iriam se encontrar no elevador.

Minha mãe entrou, eu fechei a porta, olhando pra ela que ficava em silêncio, mas depois abriu a boca.

Lívia: Você jogou um ano de namoro assim? Por nada, Milena. O que você tem na cabeça? O Paulo sempre foi o melhor pra você, não tem porque terminar com ele.

Mi: O melhor pra mim, é ficar do lado de alguém que eu goste de verdade. Eu já cheguei a gostar dele, mas nunca foi tão sincero.

Lívia: Ele te ama, Milena. E você simplesmente deixou o menino ajoelhado na sua frente.

Mi: Não posso fazer nada...- Dei de ombros.- eu não vou me casar com ele, e você pode sentir raiva de mim o quanto quiser.

Ela passou a mão no rosto, parecendo não acreditar no que eu tava falando. Mas eu nem liguei, minha felicidade em primeiro lugar!

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