Capítulo oito

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Chegando na rocinha, eu cheguei a conclusão de que não era tão ruim assim como as pessoas diziam.

Tinha muita gente simpática, que te olhava sorrindo. Mas também tinha outras, que te olhava com cara de nojo, sem nem conhecer.

Tínhamos acabado de chegar, e tinha muita gente, o que me deixava com medo de me perder da Bruna.

Bruna: Como foi a conversa com a velha cha...quer dizer, a sua mãe.- Sorriu fraco, e eu também por saber o que ela iria falar.

Mi: A gente discutiu muito! E como sempre ela ficou do lado dele, e preferiu viras as costas pra mim. Incrível como eu sempre sou a errada.

Bruna: Não liga, pra isso. Sabe porque? Tu é maior de idade, paga as tuas contas sozinha, e sabe se virar muito bem se a mamãe no pé.

Mi: Faço isso a muito tempo.

Bruna: Hoje é dia de curtir ok? Tudo que é ruim, fica esquecido essa noite.

Eu concordei com a cabeça, e me encostei no muro que tinha, virando o copo na boca.

Tirei várias fotos com ela, que foram pro insta, e depois fiquei na minha, olhando pra geral que dançava e bebia ali no meio.

Eu sabia que a comemoração era pra um homem que tava preso, mas pelo o que parecia, ele ainda não tinha chegado.

Bruna também disse que nunca viu, que quando começou a amizade com o tal vapor, o dono daqui já estava preso.

- Tá sozinha? - Olhei pra trás, concordando com a cabeça.- satisfação, Pt.

Mi: Milena...- Peguei na mão dele.

Pt: É da onde, Milena?

Mi: Como vocês dizem aqui, da pista.- Ele riu fraco, coçando a cabeça.

Pt: Nunca subiu pra cá?

Mi: Primeira vez.

Pt: Tá gostando da favela? É de boa né, tem os barraqueiro, mas no fim geral se entende.

Mi: Eu pensava que era totalmente diferente.

Ele ficou por um tempo junto comigo, mas depois sumiu. Dizendo que ia pro banheiro.

Começou a tocar um funk que eu conhecia, então eu também comecei a dançar junto com a Bruna, que levantava o copo pro alto.

No mesmo momento, eu escutei algumas pessoas gritaram, e um homem passar no meio delas.

O cara tinha algumas tatuagens pelo corpo, e ficava sério o tempo todo, o que me arrancou um sorriso.

Ao lado dele tinha outro homem, também muito gato, mas eu só olhava pro outro, que dessa vez também olhou pra mim, dando um meio sorriso.

Mi: Se todos forem como o dono, eu quero vim morar aqui...- Falei alto, pra Bruna.

Bruna: Pt também é gato, tu viu? - Eu concordei lembrando.

Foi questão de minutos, até a Bruna que tava do meu lado sumir. E eu ficar totalmente perdida, sem ver ela.

Quando finalmente achei, ela tava pegando mais bebida, então fui andando, mas parei quando me bati com um homem, derramando toda a minha bebida na camisa dele.

Mi: Desculpa...- Falei nervosa.- foi sem querer.

- Caralho, tá com o olho no cu?!

Queria mesmo era xingar, mas quando pensei por dois segundos, me liguei naquela voz, eu tava bebendo mas não era possível que eu tava com tanta vontade de fazer a visita, que tô sentindo a presença do cara em todo lugar. Percebi que ele olhava no meu olho, com um sorriso, o que foi me deixando toda envergonhada.

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