Capítulo 44 (Dia 9)

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Fronteira | 15 ºC
Contagem regressiva: 10 dias

Are we the hunters?
Or are we the prey?

Somos os caçadores?
Ou somos a presa?

A parte de trás da pensão dá para o fundo de outro prédio abandonado.

Esperamos Matt fechar a porta e vejo Nathan com o Lucas e Armon. Eles abrem o mapa e o analisam juntos, o que me faz acreditar que possivelmente vão mudar de rota.

— Vocês vão ajudar a minha mãe? — Alana pergunta para Mere fazendo-me desviar o meu olhar para ela.

Claro que me passou pela cabeça voltar à casa delas para ver o que realmente aconteceu. Mas isso nos colocaria em um risco extremo e, mesmo contrariando os meus valores, não posso colocar de novo o Nathan e o Lucas em uma situação de perigo.

— Sim, querida — Mere responde. — Mas antes vamos procurar um lugar seguro para ficarmos, está bem? — a voz dela é suave e carinhosa e Alana apenas concorda conformada.

Depois de fecharem o mapa, os rapazes se aproximam da gente.

— Nós vamos ter que andar um pouco mais — Nathan diz com a expressão preocupada. — Há outra pensão mais perto, mas eu preciso fazer o anúncio para Gaia. Tudo será mais fácil se tivermos a população do nosso lado.

— E para onde vamos? — pergunto curiosa. Faltam duas horas para o amanhecer e todos nós estamos exaustos, mas ninguém é capaz de contestar o argumento que o Nathan deu. Ele está coberto de razão.

— Para uma pequena base escondida no porão de um prédio abandonado. Fica há mais ou menos três quilômetros — Armon fala. — Não é muito longe, mas, como vamos ter que evitar as ruas principais, pode ser um pouco mais demorado.

— E tem tudo o que precisamos para fazer o anúncio? — Vitor pergunta e olho atenta para o Lucas que parece que vai nos dar a resposta.

— Não. A única coisa que tem é um telefone. Vamos ter que pedir ajuda da Resistência dos Setores... — Lucas faz uma pausa — e, em último caso, da Resistência da Fronteira — conclui e percebo no tom de voz dele que isso não parece ser algo fácil.

— O que há de errado com eles? — pergunto.

Armon olha para o Lucas esperando a resposta embora eu tenha certeza que ele saiba do que se trata.

— Eles não trabalham de graça — responde por fim.

Prefiro não fazer mais perguntas e deixar esse problema para depois. Este é um mundo clandestino, não admira que eles sejam diferentes.

Com tudo esclarecido, começamos a caminhar para o lado da casa desabitada.

— Eu estou com sono — Lily diz puxando a minha mão. Olho para ela tão pequena esfregando aqueles olhos redondos e sinto um aperto no peito. Quando tiver a minha idade, ela nem ao menos vai conseguir se lembrar da mãe e isso é muito triste.

— Eu sei, querida — passo a mão no cabelo cheio de cachos dela. — Eu vou pedir para um dos rapazes pegar você no colo, está bem? — Pergunto e ela faz sinal de positivo enquanto boceja.

Nathan está próximo o suficiente para ter ouvido a conversa então caminha até nós duas.

— Lucas — eu o chamo antes que o Nathan possa dizer qualquer coisa.

— Eu a levo — Nathan contesta baixinho enquanto o Lucas caminha na nossa direção. — Eu estou bem, Em.

— De forma alguma — falo determinada e, pela conversa, Lucas percebe sobre o que estamos falando. — Você não pode mais fazer esforço. — Eu sei que o ferimento voltou a doer, consigo ver no rosto dele, mas ele é orgulhoso demais para assumir isso.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!