Capítulo 8 (Dia 2)

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Setor 6 | 12 ºC
Contagem regressiva: 17 dias

Tento controlar a ansiedade, mas ficar de braços cruzados esperando essa ligação para o Gabe é frustrante. No entanto, não há realmente muito a fazer, já que a resposta dele vai definir os próximos passos. Se ele tiver o antídoto, poderemos nos focar nos outros problemas. Se ele não tiver, a bomba-relógio vai continuar ativa nas nossas mãos.

— Preciso pegar um pouco de ar. Você quer vir? — Mere pergunta, tirando-me dos meus pensamentos.

Olho para ela que me dá um sorriso tímido. Queria ficar sozinha, mas acho que espairecer um pouco só vai me fazer bem.

— Também já não aguento estar presa neste prédio. — Digo, aceitando o convite.

Olho para o céu que está com um tom de cinza escuro. Não tenho dúvida que não vai demorar muito para cair um temporal.

Só espero que o Lucas chegue antes.

O vento gelado sopra me fazendo fechar mais a jaqueta. Olho para a Mere que parece realmente muito incomodada com o frio e a vejo fazer o mesmo antes de começar a esfregar as mãos.

— Posso fazer uma pergunta? — Ela quebra o silêncio quando chegamos ao grande pátio ao lado do hospital.

— Sim. — Respondo incerta.

— Quem é o Lucas? — Ela não hesita. Imagino a curiosidade que deve ter despertado nela por saber que eu, Matt e Nathan temos como prioridade salvar a vida dele.

— O Lucas? — Repito tentando ganhar tempo e pensar em uma resposta. — É complicado.

— Desculpa, você não precisa falar se não quiser. — Ela sorri envergonhada.

Olho para o rosto dela e encontro um par de olhos amarelos esverdeados, que parecem duas turmalinas. O nariz e as bochechas estão rosados, e os olhos brilhando por causa do vento frio.

— Não tem problema. — Digo sorrindo rapidamente para que ela não se sinta tão constrangida. A verdade é que mais cedo ou mais tarde eles vão conhecê-lo. — Ele é meu melhor amigo desde que éramos crianças. — Desvio os olhos dos delas e sento-me em um banco parecido ao que estive ontem com o Nathan. — Um pouco mais do que isso. — Completo, embora "um pouco" seja um grande eufemismo.

A verdade é que eu o amo tanto que chega a doer.

Como me esquecer de todas as vezes que ele esteve do meu lado?

Ele foi o meu apoio quando o meu pai morreu. Quando a minha mãe adoeceu, ele nunca nos deixou sem ter nada para comer. Foi com ele que dividi a minha dor quando ela partiu.

— Um pouco? — Ela pergunta com um sorriso desconfiado, parecendo ter lido os meus pensamentos. Acho que devolvo um sorriso triste, confirmando a minha falta de precisão. — Não se preocupe, Emily, não vou julgá-la. Eu não faço ideia do que você passou. Além disso, também não sou exemplo, já me meti em cada enrascada que você nem imagina. — Ela diz e dá uma risada e eu me sinto mais aliviada com essa cumplicidade. — Mas o Lucas então explica o seu comportamento no dia do Sorteio. Era preciso ter algo muito importante nos Setores para não ficar feliz com a Cura. Foi ele quem comprou o seu bilhete? Eu me lembro de você dizer na entrevista que outra pessoa o tinha comprado.

— Sim, foi ele. — Falo e ela não esconde a expressão de admiração.

— Ele deve amar muito você. — Diz. Sinto lágrimas aquecerem os meus olhos, mas respiro fundo. — Como o Nathan reagiu a isso?

— Como ele reage a tudo: com sensatez. — Digo. — Ele sabe o quanto o Lucas é importante para mim, tanto que em nenhum momento hesitou em dizer que iria salvá-lo.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!