Capítulo 74

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Coz a one in a million chances
Still a chance, still a chance
And I would take those odds

Porque uma chance em um milhão
Ainda é uma chance, ainda é uma chance
E eu prefiro apostar nessa chance

Abro os olhos devagar e levanto a cabeça da maca tentando não mexer muito no Lucas. Ouço os sinais sonoros acompanhando os batimentos cardíacos o que me tranquiliza, mas o alívio só é completo quando observo o peito dele subir e descer com a respiração.

Encaro demoradamente seu rosto. Ele está pálido e há círculos escuros à volta dos olhos. Faz tempo que não dorme direito, mas a aparência dele está mostrando mais a exaustão agora. E, por mais que eu não queria admitir, ele parece realmente doente. É como se o vírus tivesse sugando a vida dele, e eu não posso fazer nada. Ninguém pode fazer nada!

Olho para o relógio e vejo que adormeci dez minutos. Minha preocupação com ele e com o Nathan não me deixa dormir mais do que isso. Eu acabo sonhando com eles, e eles estão sempre bem, ao meu lado. Dói demais acordar para esta realidade.

Levanto-me da cadeira e, depois de verificar se o cateter continua bem colocado no dorso da mão esquerda dele, observo as gotas de soro caírem umas após as outras aceleradas.

Não foi fácil, mas, depois de algum tempo, conseguimos baixar um pouco a febre com compressas e aumentando a dose do antitérmico. O coração desacelerou um pouco também, tudo parece normal no monitor.

Armon está deitado na maca ao lado. Resolvemos monitorá-lo, mesmo que os sintomas ainda estejam bem menos intensos que os do Lucas.

Olho para o Matt e a Mere que estão na janela em silêncio. Ela está com a cabeça no ombro dele envolvida por um abraço. A testa do Matt está franzida, pela expressão ele continua inconformado.

Quando a febre do Lucas baixou, ele disse que iria atrás do Nathan, mas até ele percebeu que isso seria loucura. Não há como sair daqui. O Vitor e o Nathan levaram o carro, não temos telefone para entrar em contato com os outros Resistentes, por isso, não podemos fazer nada até a Resistência vir ao fim do dia para continuarmos as buscas.

Já não tenho lágrimas para chorar e não sei se eu consigo aguentar mais dor do que a que estou sentindo neste momento. É um medo sufocante de que algo de ruim aconteça com eles. Sempre achei que poderia ficar pior, mas este cenário nunca me passou pela cabeça. Nós podemos perder o Lucas, o Nate, o Vitor e o Armon.

Isso não pode estar acontecendo!

— Onde é que você estava com a cabeça? — ouço a voz do Kyle e nós três nos viramos para o lugar de onde veio o som no mesmo momento. Matt se dirige rápido para a porta, mas, antes de chegar lá, o Vitor entra no quarto.

— Cadê o Nathan? — Matt pergunta olhando por cima do ombro dele, mas a minha esperança acaba quando a porta se fecha assim que o Kyle entra.

— Você está bem? — A voz da Mere é preocupada enquanto o examina rapidamente apenas com o olhar.

Não consigo fazer nada a não ser observar a expressão nervosa dele e esperar que diga alguma coisa, mas ele apenas vem na minha direção e me entrega uma pequena caixa branca. Sinto que vou desmaiar quando vejo marcas vermelhas nela.

— Você está machucado? — pergunto angustiada olhando para as mãos dele, mas elas não têm nenhum sinal de sangue.

— Não é meu — ele diz.

Apoio-me um pouco na maca sentindo tudo girar à minha volta.

— Cadê o Nathan? — grito nervosa quando saio do choque. — Cadê ele, Vitor? Este sangue é dele? — Sinto o Lucas se mexer.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!