Capítulo 28 (Dia 6)

1.8K 275 541

Setor 7 | 13 ºC
Contagem regressiva: 13 dias

Enxugo as lágrimas antes de ir em direção à porta. Pelas batidas, não tenho dúvida de que é o Lucas. Seguro a maçaneta, mas antes de abrir respiro fundo. Vou precisar de calma se tiver que olhar para a Anna de novo.

— Posso entrar? — pergunta enquanto percebo que está sozinho. Faço um gesto com a mão e ele passa por mim. — Desculpa, Em. Eu deveria ter dito que ela viria, mas não sabia que seria tão cedo...

— Você a chamou? — pergunto interrompendo o que estava falando e tentando controlar a indignação na minha voz. Depois de toda a nossa briga por causa dela ele nem sequer hesitou em trazê-la.

— Sim — responde quando olho para o rosto dele que parece se converter em culpa. — Eu preciso ver a minha mãe e a Anna é a única pessoa que pode me ajudar. Liguei para o hospital ontem e combinei tudo com ela.

— E o que você está fazendo aqui ainda? — Não consigo esconder a dor na minha voz, só quero que ele vá embora.

— Eu não posso fazer isso sozinho — diz.

— Você não está sozinho, está com a Anna — digo impulsivamente.

— Não faz isso, Em — pede em um sussurro. — Eu pedi ajuda porque ela tem acesso ao carro do hospital e pode nos levar até a fábrica onde a minha mãe trabalha sem dar nas vistas. Eu sei que você está com raiva e não acredita que ela está do nosso lado, e eu não tenho como provar o contrário para você neste momento... Mas essa é a única forma de encontrar a minha mãe.

Eu queria dizer que não era só raiva, mas depois de tudo o que fiz não é aceitável mostrar que também é ciúme. Não ciúme romântico. Quer dizer, também é. Mas eu tenho inveja de ela ter convivido com ele nos meses em que estive na Matriz. Tenho ciúme de ela ter se tornado uma amiga para ele. Não só porque ela sempre quis roubá-lo de mim, mas por também acreditar que há mais coisas por trás daquela foto. Não consigo aceitar que foi um ato inocente.

Diante do meu silêncio, ele coloca as mãos no meu rosto e me obriga a olhar naqueles olhos intensos.

— Quando você vai entender que eu amo você? Só você. — Esse é daqueles momentos em que eu acredito que ele lê os meus pensamentos.

— Quando você parar de defendê-la — respondo me livrando das mãos dele, mesmo que ele tenha sido adorável. — Você poderia ter me dado razão por ter dado um tapa nela depois das provocações. Mas o que você fez? Me repreendeu na frente de todo mundo.

— Porque foi errado, Em — diz. — Ela pode merecer a sua raiva por todos os motivos, mas você realmente acha certo agredir fisicamente as pessoas agora?

— Ela quase implorou por isso — rebato me lembrando das acusações. O que mais dói é que uma delas era verdade. Nem tudo foi ruim na Matriz.

— Então você não vai se importar se da próxima vez que o Nathan me provocar eu haja do mesmo jeito, certo? — pergunta e a única coisa que consigo fazer é voltar os meus olhos para a janela. Eu odeio a forma como ele tem razão e me deixa sem resposta.

A única coisa que sinto é arrependimento e vergonha que fazem os meus olhos brilharem.

— Eu não suportaria ver vocês dois brigando — digo com um nó na garganta quando algumas imagens insistem em passar pela minha cabeça.

— Ei, olha para mim — reluto, mas sei que ele não vai continuar se não estiver me olhando nos olhos. Levanto o meu rosto devagar até meus olhos alcançarem aquele castanho infinito. — Eu nunca faria isso com você. Eu nunca machucaria você dessa forma. E pelo que vi, o Nathan também não.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!