Capítulo 76

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They'll try to, push drugs that keep us all dumbed down
And hope that, we will never see the truth around...
...If you could, flick the switch and open your third eye
You'd see that, we should never be afraid to die

Eles tentarão empurrar drogas que nos mantêm estúpidos
E esperar que nós nunca vejamos a verdade que nos rodeia...
...Se você pudesse acionar um interruptor e abrir seu terceiro olho
Veria que nós nunca deveríamos ter medo de morrer

Lucas não espera eu responder, apenas se levanta e anda o mais rápido que consegue em direção ao banheiro. No meio do caminho, ele se apoia na maca e na parede, eu e o Vitor vamos atrás prontos para ajudar se for preciso.

— Você não precisa ver isso, Em — diz envergonhado depois de vomitar. Além da febre e dor de cabeça, ele não se queixa muito, mas consigo notar que está com náusea. Não é a primeira vez que vomitou, a Mere me contou que aconteceu também depois de ter tomado café pela manhã.

— Eu não vou deixar você sozinho. Você sabe disso, não sabe? — pergunto, ajudando-o a se levantar. Ele segura as bordas da pia com força e fica um pouco curvado sem encarar a imagem no espelho à frente dele. — Você quer tomar um banho? — questiono. A febre diminuiu, mas um banho poderia fazê-la desaparecer completamente e ele se sentiria melhor. — Posso pedir para um dos rapazes ajudar você. — Olho para o cabelo preto desgrenhado, nunca esteve tão grande antes.

— Eu acho que consigo fazer isso sozinho — responde e levanta a cabeça lentamente até encarar o reflexo dele e desviar o olhar.

— Está bem — digo com calma, tentando encontrar as palavras certas para insistir no assunto. Não acho que ele esteja em condições de ficar desacompanhado. — Mas você não se importa que um deles fique aqui só por precaução, pois não? Eu me sentiria mais segura.

Ele fica em silêncio enquanto joga um pouco de água no rosto e no cabelo.

— Tudo bem, Em — respira fundo e parece que vai falar algo, mas hesita por um momento. Os olhos dele se estreitam e ele balança a cabeça em negação. — O Gabe enviou os antídotos e o Nathan não está aqui — ele pensa em voz alta, mas sei que começou a entender a situação. Achei que tinha conseguido ganhar tempo antes de dizer para ele o que aconteceu, não queria que ele soubesse agora que o Nathan foi embora, não depois de perdermos o Armon. — Ele se entregou, não foi? — Os olhos dele estão fechados e tem uma ruga se formando no meio da testa. Desvio o olhar do rosto dele e olho para cima tentando evitar que as lágrimas surjam. — Onde ele está?

A voz dele sai em um murmuro cheio de dor. Coloco a minha mão em cima da dele, e sinto toda a tensão dos dedos que ele aperta com força.

— O Nate voltou com o Gabe para a Matriz — Lucas suspira fundo e se afasta de mim. Observo-o colocar a mão na parede e se apoiar. Fico paralisada com a dor que vejo no rosto dele.

Não, não, não — ele repete. — Ele não podia ter feito isso. Ele me prometeu... — Lucas para colocando as mãos na cabeça e a expressão é de angústia. Ele não deveria estar passando por isso, deveria estar em repouso enquanto tentamos encontrar uma solução. Ele está destruído física e emocionalmente.

— O Nathan prometeu que vai ficar bem, que tem um plano e vai voltar. — Eu preciso acreditar nisso mais do que nunca.

Olho os olhos dele cheios de lágrimas e sinto que os meus estão do mesmo jeito.

— Sinto muito, Em. Sinto muito por ele ter se sentido na obrigação de fazer isso por minha causa, por causa do Armon...

— Ele fez isso tentando salvar alguém que ele aprendeu a admirar e a respeitar. Ele adora você, Lucas. E eu sei que você teria feito o mesmo no lugar dele — faço uma pausa quando percebo que tudo o que falo só faz a dor dele aumentar ainda mais, e sinto saudade do Nathan me corroer por dentro. — Não foi em vão. Você vai ficar bem, nós vamos atrás do Nathan. Ele vai ficar bem também. — Ele enxuga as lágrimas do meu rosto.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!