Capítulo 10 (Dia 2)

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Contagem regressiva: 17 dias

Não sei se faz de propósito, mas o Nathan fica quase do lado do Lucas me obrigando a olhar para os dois ao mesmo tempo. Eu não precisava de confirmação, mas agora não há espaço para dúvidas. Eu amo os dois.

Desvio o olhar quando dói demais ver nos rostos deles a decepção que eu causei.

— Espero que a viagem não tenha sido muito cansativa. — Matt diz estendendo a mão para o Lucas e sinto um alívio por ele ter interrompido a situação constrangedora. — Eu sou o Matt. — Lucas aperta a mão dele e a tensão se desfaz um pouco. — Precisamos fazer planos. Quer dizer, se vocês não estiverem muito cansados. — Matt conclui.

— Acho que conseguimos lidar com isso. — Lucas diz, mas mesmo que esconda na voz, o rosto dele não oculta a exaustão.

Lucas e Nathan se viram e Matt olha para mim. Sussurro um "obrigada" quase inaudível e ele sorri por saber que chegou na hora certa.

— Armon. — Ouço o rapaz que veio com o Lucas cumprimentar o Nathan, visivelmente intimidado pela presença dele. Depois ele estende a mão para mim e Matt.

Sinto uma gota de chuva cair no meu rosto e olho involuntariamente para cima. Não falta muito para o céu desabar, ele está tão pesado quanto à tensão que se formou em mim por causa desse encontro. Damos alguns passos e rapidamente elas começam a cair mais grossas e em maior quantidade; e, claro, estão extremamente geladas.

Felizmente não estávamos longe da entrada e não demorou muito para chegarmos ao hall onde todos se amontoam. Algumas pequenas pedras de gelo caem alternando com as gotas de água fazendo barulho e se acumulando no pátio, criando rapidamente um manto branco.

Não deixo de notar na expressão surpresa das pessoas da Matriz que nunca tinham visto uma chuva de granizo antes. Vejo algumas serem vencidas pela curiosidade e estendendo a mão, parecendo completamente encantadas com as minúsculas pedras brancas que rapidamente se derretiam.

Avançamos para o interior do prédio e acelero os passos para tentar acompanhá-los, mas a dor na perna não me deixa fazer isso por muito tempo.

— O que você tem? — Lucas me pergunta com o olhar assustado quando percebe que o Nathan e os outros pararam para me esperar.

— Eu estou bem. — Apresso-me a dizer para tranquilizá-lo, mas a expressão no rosto dele me diz que não fui convincente. — Foi só um tiro de raspão... — Digo, tentando não fazer a dor aparecer no meu rosto quando a perna começa a latejar.

— O que? — Ele pergunta assustado. Então percebo que a minha tentativa de não preocupá-lo falha completamente.

— Não foi nada. — Digo. Mas então as imagens surgem na minha cabeça me lembrando dos meus gritos. Neste momento, eu realmente não sei onde encontrei coragem para levar isso até o fim, talvez tenha sido a adrenalina junto com a falta de alternativa. Mas é algo que eu tenho certeza que nunca voltaria a fazer.

— Claro que foi. — Mere diz se aproximando. — Ela estende a mão para o Lucas se apresentando. — Meredith. A Emily é a pessoa mais corajosa que eu conheço. — Olho para ela com os olhos arregalados esperando que ela olhe de volta e pare de falar, mas ela não olha para mim e continua. — Não é qualquer pessoa que aguenta levar dez pontos sem anestesia. Muito menos para salvar a pessoa que atirou nela.

— Meu deus, Emily! — O rosto do Lucas é só preocupação. — Por que você fez isso? Por que vocês a deixaram fazer isso? — Ele pergunta.

— Você fala como se não a conhecesse. Quem consegue impedir a Emily de fazer alguma coisa? — Nathan responde sério.

Ele poderia ter amenizado a situação, afinal nem ao menos pode opinar sobre isso, mas não, apenas devolve a provocação.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!