Capítulo 67 (Dia 17)

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Did you find it hard to breathe?
Did you cry so much that you could barely see?
You're in the darkness all alone
And no one cares, there's no one there

Você achou difícil respirar?
Já chorou tanto que ficou até difícil de enxergar?
Você está na escuridão sozinho
E ninguém se importa, não há ninguém lá

Fronteira | 12 ºC
Contagem regressiva: 2 dias

Sinto um arrepio estremecer o meu corpo ao ouvir a voz sem conseguir ver o rosto da pessoa que ouço avançar da escuridão. Dou um salto quando um estalo de dedos soa alto e a iluminação ao redor do teto começa a se acender, o que, apesar de tudo, não me deixa nem um pouco menos apavorada. Olho a volta e o ambiente não tem nada além de grandes quadros abstratos nas paredes pretas.

Ver o rosto dele faz com que eu sinta o meu coração na garganta. Acho que o Lucas e o Nathan ao meu lado conseguem ouvir os batimentos descompassados.

— Então você tem o que estamos procurando? — pergunto sem rodeio dando um passo na direção dele mesmo que cada pedaço de mim queira fugir deste lugar. Encaro o homem na minha frente lutando para não deixar transparecer o meu nervosismo. A aparência dele, assim como da mulher que nos trouxe, não é nada comum. Cabelos tão loiros que parecem quase brancos e olhos incrivelmente escuros.

— Não foi isso que eu disse, Emily. — Ouvi-lo pronunciar o meu nome faz minhas mãos suarem frio. Ele se aproxima de mim e, ao mesmo tempo, Nate e Lucas dão um passo à frente, ficando ao meu lado. Eles não pegaram as armas, mas não tenho dúvida que isso é o que mais querem fazer, na verdade, é isso que que eu queria que eles fizessem. Nunca me senti tão intimidada. — Mas sabendo da situação do Lucas, não foi difícil imaginar que me procurariam. — O rosto dele se desvia para o meu lado esquerdo, onde o Lucas está, e meu coração dispara. O olhar dele é muito assustador. Eu sei que a vida do Lucas e do Armon estão nas mãos dele, só não queria que ele me fizesse sentir este mau presságio. — Só não imaginei que seria nos últimos minutos — completa.

Sinto a ansiedade me dominar a cada segundo em que ele apenas nos analisa sem responder a minha pergunta.

— Então você não tem os antídotos? — A impaciência na voz do Nathan é quase tácita. Observo o olhar do homem virar lentamente agora para o meu lado direito. Minha respiração começa a ficar ofegante e sinto a adrenalina tomando cada parte do meu corpo. Conheço esta sensação de estar preparada para duas coisas: fugir ou lutar.

— Nathaniel — ele diz demoradamente e um sorriso surge no canto da boca dele. — Thomas — apresenta-se estendendo a mão, mas o Nate não a aperta. Acho que nunca vi o Nate tão tenso. Ele deve estar sentindo o mesmo que eu. — Okay! Não vou fazer mais suspense. Poderia dizer que sim e enganar vocês, mas esta é uma briga que eu não quero comprar. Não tenho intenção de ter o futuro Rei de Gaia como inimigo. Por isso, só me resta dizer que faz tempo que não aparece nenhum antídoto de verdade por aqui.

Sinto como se uma faca tivesse entrando no meio peito, a dor é quase insuportável. Ele não tem os antídotos! Esta era a nossa última chance de encontrá-los. Espero que diga que está brincando, mas ele continua sério e em silêncio. Minhas pernas vacilam e me esforço para não cair no chão de joelhos, apesar de ser tudo o que quero fazer no momento.

— Mas você os anuncia. — Os olhos do Nate estão estreitos e ele dá um passo à frente com uma postura muito ameaçadora, mas não parece ter intimidado Thomas, que permanece com a mesma expressão de antes.

— Assim como anuncio a cura — dá de ombros, demonstrando que não tem nenhum resquício de remorso. Ele é só um monstro insensível. — Você acredita que tem quem pague por ela? Já perdi as contas de quantas vendi.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!