Capítulo 65 (Dia 17)

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Fronteira | 12 ºC
Contagem regressiva: 2 dias

Seguro o braço dele quando passa na minha frente. Fico observando todos os outros entrarem no elevador enquanto ficamos parados em frente à porta semiaberta. Eu sei que temos que ir, e Matt faz questão de deixar isso claro quando me envia um olhar reprovador, mas preciso falar com o Nathan.

Quando a porta fecha e o elevador começa a subir, Nathan vira seus olhos curiosos e impacientes para mim.

— Para que você quer um carro? — pergunto sem rodeio soltando o braço dele lentamente. O casaco dele está um pouco molhado o que deixa a minha mão fria.

— É só uma precaução, Em. Nós estamos isolados aqui. — As palavras dele não me convencem e eu apenas continuo o encarando, esperando que ele fale mais. Sinto meus olhos se estreitarem enquanto os segundos passam em silêncio. — Eu também estou pensando em falar com a Mad e não temos telefone aqui — completa. Acho que ele percebeu que eu não iria aceitar que me omitisse algo importante.

— Falar o que com a Mad? — Seguro os olhos dele nos meus e mudo o peso de uma perna para a outra. Fico feliz quando a dor que sinto não é suficiente para me fazer mudar de posição como em todas as outras vezes que fiz isso inconscientemente.

— Se não der certo — Nate faz uma pausa, talvez esperando que eu o contradiga, mas continuo apenas ouvindo —, se não encontrarmos os antídotos eu vou recorrer a ela. — Mostro intenção de falar, mas agora ele é mais rápido que eu. — Além disso, eu preciso de algumas informações para saber o que vamos fazer a seguir. — Passa a mão no cabelo que está um pouco úmido e isso me diz apenas uma coisa: ele ficou nervoso com a conversa. Não gosto da sensação de insegurança que isso me causa. — Vamos, Em. Daqui a trinta minutos eles devem chegar e nós temos que decidir algumas coisas antes.

A expressão agora preocupada e urgente no rosto dele me deixa nervosa. Não participei de uma parte da reunião, e, se eu conheço bem o Nathan, há algum problema com a busca de hoje.

— Está bem — concordo e fecho a porta. Quase no escuro, não fosse pela luz vermelha dos números acima do elevador, Nate segura a minha mão e nos conduz até lá. — Mas depois continuamos essa conversa — concluo imperativa.

— Claro, Em. — Ouço a porta do elevador se fechar e, poucos segundos depois, chegamos ao andar de cima e nos dirigimos rápido para o corredor.

Matt já reuniu todos e, ao que parece, só estavam nos esperando. Consigo sentir a tensão no rosto de cada um.

A contagem regressiva está acabando. Como passou assim tão rápido?

— Este é o lugar mais perigoso e o mais difícil de encontrar. — Matt mostra o mapa com uma grande área marcada em vermelho.

Claro que seria mais fácil pedir para a Resistência procurar os antídotos. Mas o Nate e o Matt sempre acharam que isso era algo que deveria ser feito por nós. Nunca saberíamos se eles realmente estavam procurando ou se nos entregariam o que encontrassem. Isso é importante demais para passar a responsabilidade para outras pessoas. Por isso, assumimos sempre todos os riscos.

— Devido à dificuldade, vamos todos juntos desta vez, com exceção da Mere e da Emily. — Olho para o Nathan com os olhos queimando de raiva quando ele termina de falar.

— Eu vou com vocês — digo na mesma hora sem me importar com a agressividade no tom da minha voz. O acordo era sempre um dos dois ficar na base, o que sempre me acalmava. Mas, hoje isso é só um detalhe, nós precisamos encontrar os antídotos e eu posso ajudar, eu quero ajudar.

— Isso não está em discussão, Emily. — Ouvir o meu nome completo me faz ficar ainda mais chateada com ele.

Cruzo os braços e levanto uma das sobrancelhas em tom de desafio. Ao nosso redor, só se ouve o silêncio.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!