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O despertador do meu telemóvel toca bem alto. Apressei-me a desligá-lo para não acordar o resto das pessoas em minha casa.

7:30 a.m — tenho que ir trabalhar; dentro de meia hora entro ao serviço e sou eu a abrir o salão.

Preguiçosamente, levanto-me da minha cama e caminho até á janela, abrindo as cortinas. Pessoas a caminhar com os guarda-chuvas abertos devido á chuva 'violenta' — não quero sair de casa. Bem, tenho que fazer um esforço.

Abro o meu armário e de lá, tiro uma camisola branca e umas skinny jeans. Procuro também um blusão quente, para me proteger um pouco melhor do frio.

[...]

Saio do carro, após o estacionar em frente ao salão e corro até á entrada do mesmo. Tiro as chaves dele da minha carteira e assim que as encontro, abro a porta principal. Giro o papel que dizia 'Fechado' até ficar 'Aberto' e encosto a porta.

Gosto de trabalhar aqui, as pessoas são agradáveis. Quando me colocaram a trabalhar aqui, julguei que não viria aqui ninguém: mas enganei-me. Pensei nisso devido a ser um salão de cabeleireiro bem luxuoso e com preços caros.

O nosso caderno das marcações está sempre preenchido, desde as 8 a.m até ás 8 p.m.

Dirijo-me á pequena sala dos auxiliares e tiro o meu blusão. Penduro-o e visto uma bata que todos os que cá trabalham têm que envergar. Amarro o meu cabelo e regresso ao outro espaço. Coloco-me por trás do balcão e decido verificar se tinha alguma marcação para esta hora — sim; mas o estranho é que o nome de quem eu terei que atender não está apontado. A Anna, uma das minhas colegas, deve ter-se esquecido de ter perguntado; normalmente, é sempre ela que comete este pequeno erro.

"Luanna?" O meu nome é chamado por alguém que acabara de entrar.

Ergo a minha cabeça e reparo numa rapariga que eu tão bem conheço e ao mesmo tempo desconheço: Harriet. W-O-W!

Ela retira e pendura no camiseiro o seu impermeável verde claro.

"Bom dia," Profiro num tom alegre. "Que surpresa, receber-te aqui."

Tenho que ser simpática com os clientes. São regras minimamente compreensíveis.

"Isso digo eu, não sabia que trabalhavas aqui. Nunca te vi por cá."

Ela senta-se numa cadeira. "Trabalho aqui há pouco mais de quatro meses," Digo, enquanto ligo um 'chuveiro' próprio para apenas o cabelo.

"Ah, já não venho ao cabeleireiro há mais de quatro meses." Infelizmente, eu sei quando foi a última vez que ela foi ao cabeleireiro, fazer o que fez. Estragou por completo os seus longos e belos cabelos.

"E então, o que desejas fazer?" Pergunto. Ela senta-se na cadeira em frente ao chuveiro onde eu estava, após lhe pedir para o fazer por linguagem gestual.

"Eu... Sinceramente... Não tenho bem a certeza." Fiquei confusa com a sua resposta.

Começo por passar os seus cabelos por água numa temperatura amena e de seguida coloco shampoo e esfrego.

"Assim é um pouco complicado de trabalhar, Harriet." Gargalho sem graça.

"Eu estou um pouco indecisa. Quero alterar por completo o meu visual novamente: a cor, o comprimento, volume... Tudo! Gosto de mudar, de ter múltiplas personalidades."

Começo a achar que a Harriet anda a perder-se um pouco no seu próprio mundo. Esta não é a Harriet que eu inicialmente conheci.

"Continuo sem perceber o que queres." Murmuro e passo novamente água no seu cabelo.

Teen(ager) - h.s {sequela TM}Leia esta história GRATUITAMENTE!